Ji-Paraná é parte da minha vida de uma história que ajudei a escrever

O homem estava a caminho da Lua quando eu estava a caminho da Vila de Rondônia. Acompanhado da minha mãe, saia da Capital de São Paulo rumo ao desconhecido. Adolescente, não imaginava que esse momento seria um grande passo para a minha vida. Não havia asfalto. Pegamos estrada de chão em um ônibus da Viação Mato Grosso de Campo Grande a Rondônia. Não havia atoleiros – a estrada era boa, o 5º Bec e o 9º Bec cuidavam da manutenção. O movimento de carros era insignificante. Balsa havia em quase todos os rios. Pontilhões em igarapés. Na vila de Rondônia encontrei um neguinho magricela ajudando na balsa – era Roldão Alves – o desportista. Antes de pegar a balsa, comi um salgado ali. Anos depois Roldão me contou que as coxinhas eram a mãe dele quem as vendia. Do outro lado (primeiro distrito), nosso ônibus ainda parou no restaurante Dia e Noite. Hoje é a esquina da avenida Transcontinental com a Vilagran Cabrita – hoje Cloves Arraes. No lugar, funciona hoje uma locadora de carros. Cinco anos mais tarde, Edgar Lobo Vasconcelos me convida para escrever para a Tribuna. A partir daí passei a registrar as notícias e, sem consciência alguma do grau de importância das coisas, apenas fazer porque gostava de escrever, não percebia que estava não apenas registrando a história, mas fazendo parte dela. Meu Deus, quantas centenas de pessoas entrevistei; quantas vítimas das derrubadas de mata conheci; quantas vítimas da malária que não tiveram a sorte de estar aqui para contar sua história. De repente o nome melódico e doce da Vila de Rondônia vira Ji-Paraná. Soava estranho demais. Parecia não combinar. demorou muito tempo para as pessoas deixarem de chamar Vila de Rondônia. Quem ajudou a dar tom agradável ao nome pela insistência, foi a TV Ji-Paraná, cujo primeiro diretor era João Vilhena. Bem depois veio a rádio Alvorada.
 
Eu tive o privilégio de cobrir a instalação do município de Ji-Paraná. Walter Bártolo era o prefeito. Cobri a inauguração da Rádio Alvorada. Aliás, bem antes, cobri a inauguração da TV Ji-Paraná. Nossa cidade é marcado por algo muito curioso: a TV chegou primeiro que o rádio. Eu trabalhava no Jornal A Tribuna – do Rochilmer Melo da Rocha. Meu editor chefe era Lúcio Albuquerque, mas, ainda peguei três meses da Editoria do Ivan Marrocos. Eu respondia diretamente ao Edgar Lobo Vasconcelos, que era o chefe da correspondência da Tribuna na Vila de Rondônia. É algo emocionante, pois, eu vi tudo isso acontecer. Quando percebo que isso completa 40 anos, que tenho cinco filhos, três dos quais nasceram no extinto Pró-Saúde, e ainda mais seis netos, me vejo um contador de histórias. Quando Vejo que que meu amigo Ciro Escobar é nome de Biblioteca, que meu querido Jovem Vilela é nome de escola, que meu amigo Gerivadão é nome de Ginásio de Esportes inaugurado pelo Teixeirão, que o Toninho da Mabel é o nome da Rodoviária, que meu adorável Claudionor Roriz virou nome de Hospital, às lágrimas me vem aos olhos. A gente se emociona à toa quando a maturidade chega – agora consigo entender a minha mãe.
 
O aniversário de Ji-Paraná representa muito, pois todos esses municípios irmãos, de jaru a Cacoal, era tudo uma coisa só, pois todos os caminhos levavam à Vila de Rondônia e todos os caminhos continuam levando ao Coração do Estado.
 
Muito obrigado Ji-Paraná, por fazer parte da minha vida, por me dar a oportunidade de fazer parte da tua história que, no percurso da contemporaneidade é um cisco existencial, mas, em minha consciência, faz parte de mim. Parabéns meu amigo ji-paranaense, essa história você também ajudou e continua a escrever. (Roberto Gutierrez)
Fotos: Amigos da Vila de Rondônia e de acervo pessoal

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.