Para Marcos Rogério, Sínodo da Amazônia não pode ser uma reunião política e ideológica

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) pediu nesta segunda-feira (14/10) cautela aos participantes do Sínodo da Amazônia, realizado no Vaticano. Para o parlamentar, os bispos e demais convidados devem destacar a realidade da região e de suas populações sem apego político e ideológico.

Em pronunciamento no plenário do Senado, Marcos Rogério disse que os congressistas devem deixar o “romantismo em torno da floresta” de lado e pensar nas necessidades das populações que precisam sobreviver da região e também em formas de desenvolvimento do local.

“Na verdade, sabemos que todo e qualquer tema de abrangência internacional dificilmente é tratado livre de preconcepções políticas e ideológicas. Quero crer, todavia, que o Sínodo da Amazônia esteja livre dessa polarização que vige no mundo”, afirmou Marcos Rogério.

O parlamentar criticou o posicionamento de figuras políticas que antes criticavam a polarização e hoje defendem o avanço do socialismo. Na América Latina, especialmente, o Foro de São Paulo – fundado em 1990 pelo ditador Fidel Castro e o ex-presidente Lula – buscou eleger o maior número possível de presidentes socialistas. Os reflexos, segundo Marcos Rogério, são vistos ainda hoje.

“Pelo menos 15 países da América Latina e da África foram agraciados com as benesses brasileiras. Tivemos parcerias com regimes ditatoriais, como é o caso de Cuba e do Irã, além da remessa de recursos vultosos do nosso BNDES para outras repúblicas de governos socialistas espalhados por outros continentes”, explicou Rogério.

Na avaliação do parlamentar, o Brasil iniciou a ruptura com esse modelo a partir da eleição do presidente Jair Bolsonaro. E destacou que a resistência às políticas adotadas pelo presidente se dá por influência de setores políticos, e, especialmente, da mídia e das elites que estão contaminados com pensamento socialista, inclusive na ONU.

“A curva da rejeição do novo modelo político escolhido pelo Brasil foi acentuada mais recentemente justamente no âmbito da ONU, após o discurso do presidente Bolsonaro. É claro que a ONU não iria receber com naturalidade um discurso tão contundente, especialmente denunciando o socialismo na presença de um secretário-geral que tem histórico envolvimento com a Internacional Socialista [Antonio Guterrez atuou longos anos como dirigente dessa organização mundial – a Internacional Socialista – que reúne partidos políticos social-democratas, socialistas e trabalhistas de todo o mundo]. A agenda da ONU tem há muito tempo uma nítida inclinação socialista”, ressaltou.

A resistência ao novo posicionamento do Brasil, assinalou Marcos Rogério, se deu justamente porque Jair Bolsonaro frustrou o secularismo que predomina na ONU ao fazer referências a Deus e citar a Bíblia, e se posicionar contra Cuba e outros regimes socialistas e ditatoriais.

“A ONU estava acostumada a ouvir discursos entreguistas. O que víamos era um Brasil cada vez mais refém da agenda global, especialmente nas questões ambientais, sem que se estabelecesse um contraponto. O presidente Bolsonaro foi incisivo ao dizer que o Brasil preserva satisfatoriamente o meio ambiente e que não aumentará a área de terras indígenas, como a ONU esperava ouvir”, destacou.

Marcos Rogério reconheceu a importância da ONU e de seus programas ao redor do mundo. Contudo, disse não ser possível coadunar com seus desvios políticos e ideológicos. “E quanto ao Sínodo da Amazônia, espero sinceramente que não seja contaminado com o ideologismo da ONU. Temos muitos desafios concretos na Amazônia e não podemos ignorar a importância da participação das igrejas, com todo seu histórico missionário e de forte participação social”, concluiu.

O Sínodo da Amazônia, realizado entre 6 e 27 de Outubro de 2019, é liderada pelo papa Francisco e reúne 250 participantes, entre bispos, cientistas, líderes políticos, representantes de ONGs e povos indígenas, para discutir a situação da Floresta Amazônica e questões ligadas ao meio ambiente, aos povos indígenas e à região.

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