A “mosca azul” ensaia voos cada vez mais altos – coluna do Macena

As dinastias políticas buscam se eternizar, como lhes é próprio.

Filho do ex-delegado, ex-Secretário de Estado da Segurança Pública e deputado estadual Paulo Moraes, o prefeito Léo Paredão-do-Fiasco já embala o sonho de ocupar o topo do CPA sem sequer ter gramado decentemente o aterro de barragem feito na pista do Skate Park na capital – mal-acabado, mal-pintado, serviço porco, sob encomenda para começar sua queimação.

E que continua com o abandono do Centro de Apoio ao Menor. “Inaugurado” às vésperas das eleições pela então poderosa secretária municipal de Saúde, a pimentense Eliane Pardini e sua turma, três prédios novinhos, pintados, todos sem rede elétrica nem móveis, prontinhos pra serem depredados, não fosse o vigia diurno. Se Léo não sabe, fica atrás do CAPS da Guaporé mas, como não é obra sua, certamente continuará como hotel de baratas e carta na manga pra reeleição.

Outro hierarca afoito, Acir-turvo Gur-sagaz, atua às apalpadelas estado afora atrás de organizar os pátios para manobrar a frota de votos que (ainda) crê ter pelos sertões da Zona da Mata, onde Ivo ainda ronca alto, e no Cone Sul, onde, como cobra, só é lembrado pelo medo.

Temos também “Fúria”, o sorridente Hulk do Bem em Cacoal, Hildon, o Sem-Chave-Nem-de-Lancha, Marcos Arrocha-mas-Afrouxa e Máximo, o Mínimo, que nem imaginam o que lhes espera.

São tantas as cascas de banana que Confúcio José do Egito, Marcos “Falcon Ken” Rogério e Jaime “Cemitério de Castanheiras” Bagattoli estão ensaboando com caldo de quiabo pra lustrar a passarela de suas aventuras rumo ao heliponto mais cobiçado da Farqhuar ou cada uma das duas poltronas de 300 milhões do dólares do Senado, que Silvia Cristina aproveitou para embananar o meio de campo no Senado e no Executivo.

Que se avise ao filho do Testoni e a outros calouros indomados: ninguém quer cair do burro.

Nenhum deputado estadual (24) ou federal (8) foi besta de anunciar que não vai disputar a reeleição.

Luizinho Goebel decerto baterá a nona ou décima, pois já derrubou o recorde de mandatos (6) enfileirados em duas décadas pela primeira-dama da dinastia Raupp, a afinada Marinha.

Ezequiel, Laerte, os Jeans, a Donadônica que sobrou – todos vão lutar com unhas e dentes pra chutar os novatos para bem longe.

Se possível pra lá da Vila Neide, em Cabixi, ou rumo aos cafundós do “Carrossel” de Presidente Médici, aquela morraiada inóspita onde Tarzan, Percy Fawcett e Chuck Norris entraram e nunca mais foram vistos.

Dinheiro a rodo não vai faltar – estão aí os R$ 5,2 bilhões do Fundo Partidário para bancar a farra.

Vai ser bonito, mas triste, vê-los triturar as tripas entre si, rasgar as vestes nos comícios e extrapolar nas mentiras de palanque para garantir seus gabinetes faraônicos e emendas orçamentárias “fifty-fifty” milionárias.

Triste por quê? Por saber quem vamos pagar a conta da festa, inclusive as faturas dos serviços publicitários da NdA, da PNA, da Nacional e de suas quatro novas concorrentes.

Os pesos-pesados vieram de Manaus, Cuiabá e Brasília e, discretos, abriram escritórios nas duas semanas antes do Carnaval, um em Vilhena, outro em Ji-Paraná e dois aqui na capital, trazidos a peso de ouro por doutra dinastia, a aparentemente extinta República do Kayari. Pergunta pro Expedito ou pro Jesualdo que eles sabem.

É isso: deixa o Carlinhos Brown nos dar sossego nesse domingo porque, depois, o tiroteio vai começar. E haja Parafal, Uzi e Tomahawk.

*Carlos Pedro Macena é de Brasília (DF), 61 anos, graduado em Jornalismo pela USP/1989. Ex-Diretor da Afiliada Globo m Vilhena, ex-repórter de Política da “Folha de Rondônia”, Chefe de Reportagem do “Diário da Amazônia”, Assessor de Imprensa do Detran-RO. Trabalhou na Editora Abril, no Grupo Folhas e 11 anos no Banco do Brasil. Atualmente, só pesca e mente.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*