*Tarifa, poder e o Jogo que o Brasil não pode perder*

Encontro entre Brasil e Estados Unidos precisa sair do protocolo e entrar no campo estratégico diante da nova onda protecionista americana.*

 

*É preciso limpar o debate*

A Supreme Court of the United States pode julgar limites institucionais, mas não formula política comercial. Essa é uma ferramenta do Executivo. E quando o assunto é protecionismo, o nome que retorna ao centro do tabuleiro é Donald Trump.

 

*Lógica simples*

Trump já mostrou o método: aço, alumínio, déficit comercial e segurança nacional como justificativa. Não importou se eram adversários ou aliados. A lógica foi simples, reduzir dependência externa e fortalecer a indústria americana.

 

*Alerta*

Agora ressurge a ideia de uma tarifa linear de 15% para países com os quais os Estados Unidos mantêm déficit comercial. Não é regra consolidada. É sinal político. E, no cenário internacional, sinal político antecipa movimento real.

 

*O Brasil deve se preocupar?*

Sim. Mas não deve entrar em pânico. O Brasil não ocupa o papel da China na geopolítica americana. Não é ameaça industrial sistêmica. Exporta commodities estratégicas, energia e alimentos. Em um cenário de tensão entre Washington e Pequim, pode até ampliar espaço.

 

*O problema não é a tarifa em si. É a imprevisibilidade*

É nesse ponto que o encontro de março ganha peso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa transformar agenda diplomática em blindagem econômica. Não basta reunião cordial. É necessário compromisso concreto, diálogo técnico e amarração bilateral que reduza margem para decisões unilaterais futuras.

 

*Sem volta*

O mundo caminha para blocos mais fechados e decisões mais nacionais. O Brasil precisa decidir se será variável da disputa global ou ator com estratégia própria.

 

*Ação assertiva*

Tarifa é instrumento de pressão. Negociação é instrumento de soberania. Entre uma e outra, existe o espaço da inteligência diplomática. E o Brasil não pode perder o tempo certo de agir.

 

“Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.”

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