Senado avança com projeto de Confúcio Moura para blindar crianças da publicidade em jogos eletrônicos

Senado avança com projeto de Confúcio Moura para blindar crianças da publicidade em jogos eletrônicos

Segundo Confúcio Moura, a legislação precisa acompanhar as transformações do ambiente digital e proteger crianças e adolescentes de estratégias de marketing que exploram sua vulnerabilidade.

 

 A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado aprovou o Projeto de Lei nº 3.518/2025, de autoria do senador Confúcio Moura (MDB-RO), que amplia a proteção de crianças e adolescentes contra a publicidade comercial em jogos eletrônicos. A proposta recebeu parecer favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e segue agora para análise da Comissão de Educação (CE).

O projeto altera o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente para proibir anúncios comerciais em jogos destinados a crianças menores de 12 anos e estabelecer regras mais rígidas para conteúdos voltados aos adolescentes.

Segundo Confúcio Moura, a legislação precisa acompanhar as transformações do ambiente digital e proteger crianças e adolescentes de estratégias de marketing que exploram sua vulnerabilidade.

“Os jogos e plataformas digitais fazem parte da rotina das crianças, mas muitas vezes a publicidade aparece de forma disfarçada e sem compromisso educativo. Precisamos garantir proteção nesse ambiente”, afirmou.

Pelo texto aprovado, ficam proibidos anúncios exibidos antes, durante ou após as partidas, publicidade incorporada à narrativa ou à mecânica dos jogos e conteúdo que ofereçam recompensas em troca da visualização de propagandas. Permanecem permitidas apenas campanhas de utilidade pública, informações institucionais e identificação dos desenvolvedores, sem apelo comercial.

Para adolescentes, a publicidade continua permitida, mas sob restrições. O projeto veta anúncios disfarçados de conteúdo do jogo, propagandas sem identificação clara, recompensas condicionadas à interação com anúncios e estratégias que explorem vulnerabilidades emocionais ou estimulem o consumo compulsivo.

Relatora da proposta, Damares Alves destacou que o ECA Digital já prevê proteção contra publicidade abusiva, mas ainda apresenta lacunas em relação aos jogos eletrônicos. Ela também manteve a possibilidade de anúncios em jogos destinados a maiores de 12 anos, considerando argumentos do setor sobre a manutenção de modelos gratuitos de acesso.

A proposta também responsabiliza plataformas e empresas pelo cumprimento das regras. As penalidades vão de advertência a multas de até 2% do faturamento bruto da empresa no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além da suspensão das propagandas irregulares.

Para Confúcio Moura, a medida representa um avanço na defesa dos direitos das crianças no ambiente digital.

“Crianças são especialmente vulneráveis às estratégias de marketing. O objetivo é garantir que as plataformas atuem com responsabilidade e respeito aos direitos desse público”, ressaltou.

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