{"id":15170,"date":"2017-09-04T21:51:20","date_gmt":"2017-09-05T01:51:20","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=15170"},"modified":"2017-09-05T01:11:19","modified_gmt":"2017-09-05T05:11:19","slug":"morre-aos-74-anos-a-atriz-rogeria-que-se-dizia-a-travesti-da-familia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2017\/09\/04\/morre-aos-74-anos-a-atriz-rogeria-que-se-dizia-a-travesti-da-familia-brasileira\/","title":{"rendered":"Morre aos 74 anos a atriz Rog\u00e9ria, que se dizia a travesti da fam\u00edlia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><strong>Folha \u00a0&#8211;<\/strong> Cantora, atriz, vedete, maquiadora, jurada, modelo. De todas as profiss\u00f5es que exerceu em 74 anos de uma vida que chegou ao fim na noite desta segunda-feira (4) no Rio de Janeiro, Rog\u00e9ria preferia mesmo era ser chamada de artista.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o de sua morte foi confirmada \u00e0 Folha por sua amiga h\u00e1 mais de 50 anos, Eloina dos Leopardos. &#8220;Fiquei sem a\u00e7\u00e3o. Estou em estado de nervo. Uma amizade de 50 anos&#8221;, disse Eloina, que contracenou com Rog\u00e9ria no document\u00e1rio &#8220;Divinas Divas&#8221;.<\/p>\n<p>Rog\u00e9ria estava internada em um hospital na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. No in\u00edcio de julho, Rog\u00e9ria foi internada na UTI da cl\u00ednica Pinheiro Machado, em Laranjeiras, com uma infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria. Ap\u00f3s sofrer uma crise convuls\u00e3o, seu estado de sa\u00fade piorou e continuou internada por duas semanas, respirando com a ajuda de aparelhos.<\/p>\n<p>Rog\u00e9ria voltou algumas vezes ao hospital, ao qual seu empres\u00e1rio, Alexandro Haddad, afirmou que estava dando continuidade \u00e0s sess\u00f5es de fisioterapia.<\/p>\n<p><strong>CARREIRA <\/strong><\/p>\n<p>Nascida em Cantagalo (a 200 km do Rio de Janeiro) em 1943, Rog\u00e9ria cresceu na capital do Estado (e ent\u00e3o do Brasil), onde teve contato com as artes desde crian\u00e7a. Inspirada pelas vedetes de revistas, entrou no teatro. Come\u00e7ou a carreira na coxia, maquiando. At\u00e9 que, incentivada por Fernanda Montenegro, voltou os pinc\u00e9is de maquiagem para o pr\u00f3prio rosto. Astolfo Barroso Pinto virava Rog\u00e9ria, uma dama fluente em franc\u00eas e em piadas r\u00e1pidas, que fizeram Grande Otelo cham\u00e1-la de &#8220;Uma arma do humor&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15172 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rogeria2-e1504588032881.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"433\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 650px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 650\/433;\" \/><\/p>\n<p>Rog\u00e9ria usava o ep\u00edteto &#8220;A Travesti da Fam\u00edlia Brasileira&#8221; para falar de si mesma, muitas vezes na terceira pessoa. Um t\u00edtulo que conquistou com centenas de horas de hor\u00e1rio nobre. Esteve em &#8220;Viva a Noite&#8221;, &#8220;Tieta&#8221;, &#8220;A Grande Fam\u00edlia&#8221;, &#8220;Sai de Baixo&#8221;, &#8220;Malha\u00e7\u00e3o&#8221;, e invadiu casas pelo pa\u00eds com seu g\u00eanero que embaralhava defini\u00e7\u00f5es e mentes \u2013ela se identificava como transformista, mas concedia liberdade po\u00e9tica: &#8220;Pode chamar de bicha mesmo&#8221;.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m jurada das mais tarimbadas. Frequentou sets de Chacrinha a Luciano Huck e julgou o talento de muita gente (&#8220;Eu estou aqui pra ver se a pessoa tem &#8216;star quality&#8217;, n\u00e3o se \u00e9 bonita ou feia&#8221;). Participou de filmes como o &#8220;O Homem que Comprou o Mundo&#8221; (1968), &#8220;Gugu, o Bom de Cama&#8221; (1979), &#8220;Copacabana&#8221; (2001) e recentemente &#8220;Divinas Divas&#8221;, document\u00e1rio de Leandra Leal sobre uma gera\u00e7\u00e3o de transexuais e travestis que, durante a alvorada da Ditadura Militar, transformariam o entretenimento nacional com um novo g\u00eanero de teatro, em que transexuais, transformistas e travestis se apresentavam para um p\u00fablico m\u00e9dio que nunca tinha tido contato com elas.<\/p>\n<p>Com as hist\u00f3rias que desfiava para quem quisesse ouvir, de como a cantora Marlene tirava meias-cal\u00e7as das pernas para lhe dar ou de como Roberto Carlos emprestou um apartamento seu no Rio para que ela se empetecasse para um Carnaval dos anos 1960, ela poderia fazer um colar de p\u00e9rolas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15171 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rogeria3.jpg\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"408\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rogeria3.jpg 652w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/rogeria3-300x188.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 652px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 652\/408;\" \/><\/p>\n<p>Depois de morar em Paris e fazer turn\u00eas pelo mundo, Rog\u00e9ria nos \u00faltimos anos montou quartel-general num apartamento no Leme. Passeava toda tarde pelo bairro carioca, sempre escondendo o cabelo (se orgulhava de h\u00e1 seis d\u00e9cadas n\u00e3o precisar usar peruca), para n\u00e3o ser reconhecida e parada a cada dois passos. Ia ao Boteco do Gato onde discutia futebol com a macharada de plant\u00e3o. Fazia campanhas publicit\u00e1rias e apari\u00e7\u00f5es como ela mesma em novelas e filmes.<\/p>\n<p>Namorou at\u00e9 o fim. &#8220;Sa\u00ed com um menino liiiindo, novinho, mas que olhava para mim na cama e dizia &#8216;N\u00e3o acredito que estou com Rog\u00e9ria&#8217;. Mandei embora&#8221;, contou \u00e0 Folha no lan\u00e7amento da sua biografia, em 2016.<\/p>\n<p>Se o ativismo contempor\u00e2neo torcia o nariz para essa artista que n\u00e3o dominava uma terminologia que surgiu ap\u00f3s seu sucesso, com palavras como transexual e cisg\u00eanero, ela fez as pazes com esse grupo nos \u00faltimos anos. &#8220;Os ativistas s\u00e3o muito importantes. Eu adoro que eles existam, e defendo at\u00e9 o fim. Mas n\u00e3o \u00e9 a minha.<\/p>\n<p>Eu vim para divertir.&#8221; Mas a arte de Rog\u00e9ria tinha um fundo de transgress\u00e3o e, logo, de mudan\u00e7a. Um ano atr\u00e1s, perguntei se ela n\u00e3o tinha medo de morrer. Ela respondeu: &#8220;Meu amor, eu vivi mais do que qualquer outra. Mais e melhor.&#8221; Um dado que\u00a0Rog\u00e9ria talvez n\u00e3o soubesse na teoria, mas expressava na pr\u00e1tica: a expectativa de vida de uma travesti ou pessoa trans no Brasil \u00e9 estimada em 35 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Folha \u00a0&#8211; Cantora, atriz, vedete, maquiadora, jurada, modelo. 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