{"id":15983,"date":"2017-11-22T11:56:14","date_gmt":"2017-11-22T15:56:14","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=15983"},"modified":"2017-11-22T12:14:22","modified_gmt":"2017-11-22T16:14:22","slug":"cinco-cidades-completam-hoje-40-anos-eu-sou-padrinho-e-ninguem-me-convida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2017\/11\/22\/cinco-cidades-completam-hoje-40-anos-eu-sou-padrinho-e-ninguem-me-convida\/","title":{"rendered":"Cinco cidades completam hoje 40 anos &#8211; eu sou padrinho e ningu\u00e9m me convida"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-15989 alignleft lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/amadeu-machado.jpg\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"175\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/amadeu-machado.jpg 614w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/amadeu-machado-300x178.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 295px) 100vw, 295px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 295px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 295\/175;\" \/>Roberto Gutierrez &#8211; O texto, com o tom de registro hist\u00f3rico, \u00e9 do meu amigo Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado\u00a0 (foto) no qual ele narra com humor, informa\u00e7\u00e3o, texto impec\u00e1vel e as entrelinhas da poesia sobre os bastidores que levaram \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o de cinco cidades de Rond\u00f4nia:\u00a0Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena. Esse material foi sugerido a meu pedido quando essas cidades completavam 29 anos, \u00e9poca em que eu era editor da Folha de Rond\u00f4nia &#8211; jornal impresso que virou saudade.\u00a0 Bem-humorado, Amadeu Machado se revela um apaixonado por esse peda\u00e7o de Brasil que lhe deu todas as oportunidades, amores, amigos e conquistas e o papel coadjuvante de participar de todos os momentos hist\u00f3ricos desde de a d\u00e9cada de 70 quando advogado do Incra rec\u00e9m-formado chagava ao territ\u00f3rio. Amadeu \u00e9 o tipo do ser\u00a0humano que a gente tem orgulho de dizer que o conheceu, pois sempre tem algo a nos ensinar. Conhe\u00e7a agora, em primeira m\u00e3o, como foram os detalhes que o povo n\u00e3o viu dos momentos que antecederam e levaram \u00e0 emacia\u00e7\u00e3o de cidades t\u00e3o maravilhosas de Rond\u00f4nia quando s\u00f3 havia Porto Velho e Guajar\u00e1-Mirim de munic\u00edpios. Esse texto foi produzido h\u00e1 11 anos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Narrativa de Amadeu Machado &#8211; El Padrino!!<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Recentemente, li v\u00e1rias mat\u00e9rias em nossos jornais, sobre anivers\u00e1rios de Munic\u00edpios. Fiquei assustado com o tempo que passou e a velocidade dessas quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena festejaram 40 anos de emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tudo come\u00e7ou em 11 de outubro de 1977. O Congresso Nacional aprovou e o Presidente da Rep\u00fablica sancionou a lei 6.448.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse diploma legal se constituiu na lei org\u00e2nica dos Munic\u00edpios dos Territ\u00f3rios Federais, em substitui\u00e7\u00e3o ao Decreto Lei 411, de 1969. Al\u00e9m de dispor sobre a organiza\u00e7\u00e3o de todos os munic\u00edpios localizados em Territ\u00f3rios Federais, a mesma lei, em car\u00e1ter excepcional, criou, no Territ\u00f3rio Federal de Rond\u00f4nia, os Munic\u00edpios de Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na \u00e9poca eu era Diretor do Departamento Jur\u00eddico do Munic\u00edpio de Porto Velho, e por tal raz\u00e3o fui convocado para uma reuni\u00e3o com o Governador Humberto da Silva Guedes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m foram chamados o diretor do Departamento de Administra\u00e7\u00e3o da Prefeitura, Francisco Jos\u00e9 Coimbra Erse, o inesquec\u00edvel Chiquilito, a jornalista Jussara Gottlieb e o tamb\u00e9m jornalista e radialista Jorge Sarrafe Santos. Os dois \u00faltimos operavam junto ao Governo do Territ\u00f3rio e eram pessoas de destaque na comunica\u00e7\u00e3o social do governo territorial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A reuni\u00e3o teve por objetivo discutir aspectos jur\u00eddicos, administrativos e operacionais para a instala\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios que haviam sido criados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Diversos assuntos foram debatidos e, ao final, o Governador Guedes determinou a elabora\u00e7\u00e3o de uma Portaria, atrav\u00e9s da qual nos designou para que adot\u00e1ssemos as provid\u00eancias necess\u00e1rias de forma que ocorressem, com a maior brevidade, as cerim\u00f4nias de instala\u00e7\u00e3o dos novos munic\u00edpios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso trabalho preliminar foi aprovado e passamos a sua materializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fizemos contato com as administra\u00e7\u00f5es dos distritos, que passariam a munic\u00edpios; delegamos a\u00e7\u00f5es a serem desenvolvidas e marcamos um calend\u00e1rio para os eventos p\u00fablicos e solenes, nos quais eram figuras de capital import\u00e2ncia o pr\u00f3prio Governador e o Juiz de Direito da Comarca de Porto Velho, j\u00e1 que deste Munic\u00edpio se desmembrariam os rec\u00e9m criados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s da Comiss\u00e3o de Instala\u00e7\u00e3o marcamos os dias em que cada distrito seria transformado numa nova unidade aut\u00f4noma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E assim foi dada a partida. Pouco antes, vale lembrar, em contato com o Cel. Guedes, ele me solicitou que providenciasse cinco livros, para neles lavrarmos as atas de instala\u00e7\u00e3o, uma formalidade n\u00e3o prevista na lei, mas que o senso de organiza\u00e7\u00e3o do Governador intuiu ser necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E passei a ser o secret\u00e1rio da sess\u00e3o solene, encarregado de elaborar as tais atas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sa\u00ed desesperado pelo com\u00e9rcio \u00e0 procura de alguma coisa parecida com um livro de atas. O melhor que consegui foram cadernos de capa dura, batizados, ent\u00e3o, cada um como livro da ata instala\u00e7\u00e3o de tal Munic\u00edpio. Como tudo estava em cima da hora, n\u00e3o havia tempo para a aquisi\u00e7\u00e3o dos mesmos atrav\u00e9s da burocracia estatal, raz\u00e3o pela qual acabei pagando do meu bolso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No dia marcado iniciamos nossa viagem pela BR-364. J\u00e1 era novembro e come\u00e7ava a chover, fazendo com que antev\u00edssemos as dificuldades que ocorreriam com os habituais atoleiros da rodovia, que n\u00e3o tinha um palmo de asfalto de Porto Velho a Cuiab\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso planejamento nos dava uma margem ora de um , ora de dois dias para que cheg\u00e1ssemos \u00e0s localidades e adot\u00e1ssemos os procedimentos finais, sendo que a comitiva governamental ao chegar j\u00e1 encontrava tudo pronto para a realiza\u00e7\u00e3o da solenidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Chiquilito j\u00e1 mostrava ser um excelente administrador e tomava as r\u00e9deas das a\u00e7\u00f5es a serem desenvolvidas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jussara a Jorge eram os \u201cexperts\u201d em comunica\u00e7\u00e3o social e tratavam de dar as tintas finais ao evento, no sentido de envolver a popula\u00e7\u00e3o, para que a maior quantidade poss\u00edvel de pessoas comparecesse \u00e0 solenidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m faziam a sua parte com extrema compet\u00eancia e simpatia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na \u00faltima hora juntou-se a n\u00f3s o Abelardo Townes de Castro, que, se bem me lembro, era o Presidente da C\u00e2mara de Vereadores de Porto Velho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se transformou num belo parceiro, pelo seu desembara\u00e7o e pela alegria contagiante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nossa primeira parada foi Ariquemes. Estava tudo bem organizado pelo pessoal da administra\u00e7\u00e3o distrital, que tinha \u00e0 frente o Professor Pedro Batalha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15984 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ariquemes1977.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"378\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ariquemes1977.jpg 610w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/ariquemes1977-300x186.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 610px) 100vw, 610px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 610px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 610\/378;\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No dia marcado, 21 de novembro de 1977, l\u00e1 est\u00e1vamos num palanque armado em pra\u00e7a p\u00fablica e come\u00e7am a chegar as autoridades. Havia muita gente na pra\u00e7a, e de nossa parte o permanente receio da chuva.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tudo transcorreu dentro da maior tranq\u00fcilidade. Nenhum sobressalto, nenhuma necessidade de improvisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O momento l\u00edrico ficou por conta do Professor Batalha que, exonerado do cargo de administrador distrital, foi nomeado e empossado Prefeito de Ariquemes e em seu discurso pediu licen\u00e7a para recitar uma poesia de sua autoria, na qual reverenciava aquela cidade, a quem, numa certa estrofe, denominou \u201cA Princesinha da Br-364\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todos muito emocionados, inclusive o sisudo, mas af\u00e1vel Governador Humberto Guedes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem estava em estado de gra\u00e7a era o Juiz de Direito, pe\u00e7a chave e insubstitu\u00edvel para dar legitimidade ao ato. Era o Doutor Jos\u00e9 Clemenceau Pedrosa Maia (por ser sobrenome franc\u00eas se pronuncia Clemanss\u00f4).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mais tarde ele viria a ser Desembargador na primeira composi\u00e7\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A\u00ed vinha a parte ruim do nosso trabalho, porque uma vez encerrada a cerim\u00f4nia, seguia-se alguma festividade, um churrasco, uma cerveja bem gelada, uma boa prosa. Era ruim porque n\u00f3s da Comiss\u00e3o t\u00ednhamos que ir embora, para a pr\u00f3xima cidade que estava agendada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ariquemes ficou para tr\u00e1s e rumamos para Ji-Paran\u00e1, que at\u00e9 ent\u00e3o se chamava Vila de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">L\u00e1 os preparativos que hav\u00edamos indicado estavam todos cumpridos e com algum requinte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O administrador da Vila de Rond\u00f4nia era o Walter B\u00e1rtolo, homem de a\u00e7\u00e3o e desenvoltura, que sempre dava conta do riscado, afora ser pessoa cativante e extremamente prestativa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim como em Ariquemes, o administrador distrital, no decorrer da cerim\u00f4nia, foi exonerado e imediatamente nomeado e empossado prefeito do Munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Walter B\u00e1rtolo n\u00e3o cabia em si de contentamento. Com justa raz\u00e3o estava transbordando orgulho e felicidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15985 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vila-de-Rond\u00f4nia.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"407\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vila-de-Rond\u00f4nia.jpg 900w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vila-de-Rond\u00f4nia-300x136.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 900px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 900\/407;\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como o munic\u00edpio seguinte seria Vilhena e a dist\u00e2ncia a ser percorrida era muito grande (n\u00e3o esquecer as condi\u00e7\u00f5es da estrada), o Coronel Guedes, que estava muito satisfeito com o nosso trabalho, resolveu nos dar um refresco. Autorizou que no dia seguinte, bem cedo, um avi\u00e3o nos levasse para aquela cidade, o que nos permitiu o luxo de participarmos de um lindo baile que foi realizado no sal\u00e3o do Clube Vera Cruz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ambiente estava muito bonito, com participa\u00e7\u00e3o intensa de toda a sociedade local. O baile foi aberto com o Walter B\u00e1rtolo dan\u00e7ando uma valsa com a m\u00e3e dele, a veneranda Dona Labibe.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o pudemos aproveitar como gostar\u00edamos porque t\u00ednhamos o dia seguinte cheio, mas enquanto convers\u00e1vamos com amigos e tom\u00e1vamos uma gelada, pens\u00e1vamos no nosso motorista que enfrentava a BR, j\u00e1 que o carro deveria estar a nossa disposi\u00e7\u00e3o no dia seguinte em Vilhena. E assim encerrou-se o dia 22 de novembro de 1977.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15988\" aria-describedby=\"caption-attachment-15988\" style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-15988 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vilhena.jpg\" alt=\"\" width=\"433\" height=\"325\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vilhena.jpg 400w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vilhena-300x225.jpg 300w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vilhena-326x245.jpg 326w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/Vilhena-80x60.jpg 80w\" data-sizes=\"(max-width: 433px) 100vw, 433px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 433px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 433\/325;\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15988\" class=\"wp-caption-text\">Cidade de Vilhena na d\u00e9cada de 1970.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pegamos o teco-teco ao clarear do dia e enquanto ele jogava de um lado para o outro, por causa do tempo, sent\u00edamos todos, com redobrado rigor, as consequ\u00eancias da bela festa de Ji-Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aeroporto de Vilhena. L\u00e1 estava nosso bravo motorista, exausto de tanto barro e p\u00f3 que alternou na estrada durante a noite, mas firme e forte nos aguardando.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De pronto tratamos de conferir se todas as provid\u00eancias haviam sido tomadas. O Administrador de Vilhena, que se transformou em Prefeito, Renato Coutinho, era homem muito organizado e empreendedor. Tudo estava na mais perfeita ordem, nos deixando absolutamente tranq\u00fcilos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Chegada a comitiva governamental, reunido o povo em pra\u00e7a p\u00fablica, s\u00e3o realizados os atos de instala\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio, seguindo-se uma grande churrascada no CTG (Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas), que j\u00e1 era uma refer\u00eancia naquela cidade do sul, onde era dominante o migrante oriundo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran\u00e1, embora se encontrasse, tamb\u00e9m, pessoal de outros estados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para n\u00f3s estava encerrado o dia 23 de novembro. Vilhena era mais um Munic\u00edpio do Territ\u00f3rio Federal de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s, da comitiva precursora, t\u00ednhamos que rumar para Pimenta Bueno onde o administrador j\u00e1 nos aguardava com muita ansiedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vicente Homem Sobrinho era o nome dele. Mineiro, maneiro, matreiro, n\u00e3o queria que nada sa\u00edsse errado. Era para ele um momento de gl\u00f3ria, que ele disfar\u00e7ava sob um manto de aparente indiferen\u00e7a, j\u00e1 que ele era muito contido e ponderado. Apenas, permanentemente com o seu cigarro a fumegar ele acompanhava a nossa movimenta\u00e7\u00e3o, fazia alguma observa\u00e7\u00e3o, e os olhos dele brilhavam. Eventualmente, diante de alguma presepada nossa, principalmente do Abelardo, Vicente Homem se permitia uma risada mais solta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15986 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/pimnentaBueno.jpg\" alt=\"\" width=\"778\" height=\"429\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/pimnentaBueno.jpg 778w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/pimnentaBueno-300x165.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 778px) 100vw, 778px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 778px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 778\/429;\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso hotel, eu acho que C\u00e9u, ou C\u00e9us de Rond\u00f4nia, na margem da rodovia, era um casar\u00e3o de madeira, coberto com brasilit, quente como uma fornalha e a cidade sofrendo, como sofreu durante muito tempo, com falta de energia el\u00e9trica. A\u00ed tudo virava um inferno, que se transformava em para\u00edso na hora em que \u00edamos bater um papo com o Velho Balateiro, que nos aguardava no bar Amarelinho, que sempre tinha um frango frito e uma cerveja gelad\u00edssima. N\u00e3o sei at\u00e9 hoje como ele conseguia aquilo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dia seguinte tudo pronto, come\u00e7am a chegar as autoridades. O campo de avia\u00e7\u00e3o de Pimenta Bueno era complicado. Numa ponta a mata alta lambia a pista, na outra uma constru\u00e7\u00e3o de um pequeno hospital fazia com que os pilotos tirassem rasantes do telhado, tanto para aterrissar, como para decolar, j\u00e1 que a pista era muito curta. Mas todos os usu\u00e1rios daquele aer\u00f3dromo j\u00e1 estavam acostumados com aquilo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mais uma vez a solenidade transcorreu sem qualquer percal\u00e7o, para nossa alegria e, enquanto a popula\u00e7\u00e3o e autoridades iam festejar, l\u00e1 fomos n\u00f3s para a \u00faltima etapa do nosso trabalho, deixando para tr\u00e1s o dia 24 de novembro, mais um Munic\u00edpio instalado, e um Mineiro em \u00eaxtase, o agora Prefeito Vicente Homem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em Cacoal tivemos um pouco de trabalho, j\u00e1 que uma s\u00e9rie de provid\u00eancias ainda estavam am andamento. O palanque n\u00e3o estava pronto e n\u00e3o havia decora\u00e7\u00e3o nenhuma. Jussara e Jorge trataram de impor maior divulga\u00e7\u00e3o ao evento, Chiquilito ajustava as quest\u00f5es burocr\u00e1tico\/administrativas e eu estava no Hotel De Colores (o velho) jogando sinuca com o Abelardo, quando me chamam ao telefone. Era o Governador. Pediu-me ele que verificasse se o \u201cSeu Catarino\u201d, que era o Administrador e seria empossado Prefeito, j\u00e1 havia preparado o seu discurso. Caso n\u00e3o tivesse feito, que eu o ajudasse.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-15987 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/cacoal1979.jpg\" alt=\"\" width=\"1593\" height=\"965\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/cacoal1979.jpg 1593w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/cacoal1979-300x182.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 1593px) 100vw, 1593px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 1593px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1593\/965;\" \/><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sa\u00ed a procura do \u201cSeu Catarino\u201d. Encontrei-o pegando no pesado, como se um pe\u00e3o fosse, pois queria ver tudo muito arrumado para o dia seguinte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Chamei-o a um canto e lhe perguntei sobre o discurso que ele havia preparado, ao que ele me respondeu que iria falar de \u201cemproviso\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ponderei, ent\u00e3o, que o Coronel Guedes havia solicitado que o discurso fosse preparado, ao tempo em que me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dele para auxili\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Homem simples e de poucas letras, mas s\u00e9rio e compenetrado, \u201cSeu Catarino\u201d humildemente aceitou, tanto fazer o laudat\u00f3rio, como a ajuda que eu lhe ofereci.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Agarrei-me com uma velha m\u00e1quina Olivetti, Lexikon 80, que devia pesar uns dez quilos, coloquei o papel e perguntei ao bom Catarino. O que o Senhor gostaria de dizer amanh\u00e3?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ah Dotor, eu preciso dizer que n\u00f3is num tem estrada, n\u00f3is num tem escola, n\u00f3is num tem hospital, n\u00f3is num tem condu\u00e7\u00e3o; n\u00f3is s\u00f3 tem os bra\u00e7o e muita vontade pr\u00e1 trabalhar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Comovente a sinceridade. Chegou a dar vontade de descumprir a ordem do Governador e deixar aquele homem simples, com a sinceridade dos bem intencionados abrir o seu cora\u00e7\u00e3o. Falar o que lhe vinha da alma. Mas, o problema \u00e9 que j\u00e1 estava havendo uma intrigazinha pol\u00edtica entre o Governador e o Odacir Soares, e qualquer deslize poderia alimentar a crise.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Odacir estava vindo de Ji-Paran\u00e1 no dia seguinte, e anunciava que com ele viria o presidente nacional da ARENA (Alian\u00e7a Renovadora Nacional), partido que dava sustenta\u00e7\u00e3o ao regime militar de ent\u00e3o, e que chegou a ser chamado de \u201co maior partido do Ocidente\u201d. O homem cuja presen\u00e7a se anunciava era o Senador Petr\u00f4nio Portela.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vi-me, ent\u00e3o, no dever de induzir o \u201cSeu Catarino\u201d a um outro tipo de agir e falar. Naquele dia n\u00e3o seria pr\u00f3prio (olhem que cretinice) discorrer sobre as agruras e as necessidades. Naquele momento de instala\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio de Cacoal deveria ser reverenciado o ato em si, o significado dele e o esfor\u00e7o daquela comunidade para, t\u00e3o rapidamente, chegar \u00e0quela situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que no princ\u00edpio da d\u00e9cada Cacoal n\u00e3o passava de um amontoado de barracas. Um acampamento bem prec\u00e1rio e, 7 anos depois j\u00e1 seria al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Munic\u00edpio. Sem d\u00favida que era um feito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cSeu Catarino\u201d deu-me autonomia para redigir e l\u00e1 me fui a escrever. Espa\u00e7o cinco na m\u00e1quina e tudo em caixa alta para facilitar a leitura do homem, que, como j\u00e1 dito, tratava as letras de \u201cVossa Excel\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na sauda\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades surgiu meu primeiro problema. O nome do Juiz de Direito. Ora, se eu escrevesse corretamente, Clemenceau, ele daria um n\u00f3 na l\u00edngua e aquilo n\u00e3o sairia. Resolvi simplificar e escrevi como se fala, ou seja, saiu Clemanss\u00f4. Isto mesmo, com chapeuzinho no \u201co\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O outro problema \u00e9 que n\u00e3o era garantido que viria Petr\u00f4nio Portela, assim eu escrevi o nome dele, mas alertei o \u201cSeu Catarino\u201d que caso n\u00e3o fosse o pr\u00f3prio, que ele saudasse quem estivesse na mesa, dizendo-o representante do Senador e do partido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, com rela\u00e7\u00e3o ao texto a coisa fluiu com mais naturalidade. Eu conhecia bem Cacoal, assim como as demais cidades, porque j\u00e1 trabalhara no INCRA e aquela Autarquia estava presente em todas aquelas localidades e, diga-se de passagem, era a grande respons\u00e1vel pelo fen\u00f4meno que estava acontecendo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conclu\u00eddo o texto, passamos para a fase seguinte. O ensaio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lembrei do causo do ga\u00facho que era m\u00fasico de ouvido e n\u00e3o sabia ler, Mas como ele tocava em muita festa, era sanfoneiro renomado, alguns outros invejosos o denunciaram na ordem dos m\u00fasicos, de quem ele n\u00e3o tinha licen\u00e7a para tocar o instrumento profissionalmente. A ordem, zelosamente (sei l\u00e1, pode ser&#8230;) convocou o gauch\u00e3o e o submeteu a testes, obrigando-o a escrever algumas coisas, ler outras e, principalmente, executar uma m\u00fasica lendo partitura. Resultado, o ga\u00facho, que era um baita m\u00fasico, foi reprovado e ficou sem licen\u00e7a para tocar nos fandangos da vida. A\u00ed perguntaram a ele o que tinha acontecido e ele se saiu com emblem\u00e1tica frase: \u201c pois \u00e9 tch\u00ea, as letras eu conhe\u00e7o todas, mas fica muito dif\u00edcil na hora que elas vem acolheradas, quanto a tal de partitura, confesso que n\u00e3o entendi nada quando olhei aquela figura que parecia uma cerca de arame com um monte de passarinho pendurado\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois \u00e9, o \u201cSeu Catarino\u201d tamb\u00e9m n\u00e3o era muito manso para acolherar (unir, juntar) as letras. E varamos a noite com ele balbuciando e trope\u00e7ando nas intrincadas palavras. Eu ajudava o tempo todo e estava odiando aquela miss\u00e3o. Ao mesmo tempo era angustiante perceber o esfor\u00e7o que aquele homem fazia para ler aquelas duas ou tr\u00eas folhas que eu havia escrito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 ia alto a noite quando achamos que estava muito bom e ambos, com os olhos vermelhos de sono, nos recolhemos para o merecido descanso. Ao chegar no hotel encontrei com a minha turma fazendo a maior festa e a Jussara era a \u201csuper star\u201d; Chiquilito tirava ritmo e qualquer coisa e o Jorge soltava a voz, tirando m\u00fasicas do fundo do ba\u00fa. Abelardo divertia a todos e a cerveja, meio morna, estava uma del\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Alguns goles e o cansa\u00e7o tomou conta de todos. Dali a pouco n\u00f3s estar\u00edamos encerrando uma miss\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Logo pela manh\u00e3 tudo preparado, chega o Governador e seu s\u00e9q\u00fcito de um lado, vinham de Pimenta Bueno, e quando j\u00e1 come\u00e7avam a ocupar os espa\u00e7os na mesa, chega um comboio de caminhonetes e um ou dois \u00f4nibus lotados. Era a turma do Odacir Soares, que chegava de Ji-Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Petr\u00f4nio Portela n\u00e3o veio. Em seu lugar estava o Deputado Federal Prisco Viana, Secret\u00e1rio Geral da ARENA.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim que soube corri a informar o \u201cSeu Catarino\u201d. Olha o nome do homem \u00e9 Prisco Viana, certo? Com um sorriso ele assentiu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Iniciada a cerim\u00f4nia estava o Governador Guedes no meio da mesa diretora dos trabalhos, de um lado o \u201cSeu Catarino\u201d e do outro o Deputado baiano, com seu imenso bigode.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Chegou a hora do ex-Administrador e agora Prefeito empossado, Catarino Cardoso Alves, fazer o seu pronunciamento. Eu estava gelado, apesar do imenso calor que fazia. Lembro do povo, muita gente mesmo, naquela pra\u00e7a, onde se via uma enorme quantidade de sombrinhas e guarda-chuvas abertos, como forma de amenizar o sol escaldante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Prefeito Catarino, al\u00e9m das dificuldades j\u00e1 identificadas, pra complicar mais um pouco, estava muito emocionado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E deu-se in\u00edcio ao supl\u00edcio. Ele saudou o governador, o Doutor Clemanss\u00f4 e come\u00e7ou a falar Petro&#8230;, lembrou-se que n\u00e3o era ele, tirou os olhos do papel e apontou o dedo na dire\u00e7\u00e3o do deputado federal, tirando um fino do nariz do governador, que tomou um tremendo susto, e no microfone lascou : como \u00e9 seu nome mesmo?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mais uns quinze minutos de sofrimento e tudo acabou-se em festa. Havia a expectativa de que a turma do Odacir pudesse aprontar alguma coisa para o Governador, mas absolutamente nada aconteceu.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Depois, bem, depois a imprensa que se fez presente, tratou de pegar o discurso do \u201cSeu Catarino\u201d e lembro que o L\u00facio Albuquerque ao l\u00ea-lo de imediato perguntou quem tinha escrito aquelas barbaridades ortogr\u00e1ficas, j\u00e1 que a exemplo de Clemanss\u00f4, muitas outras palavras eu escrevera como deveriam ser pronunciadas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ao saber que eu era o autor, um tremendo e mordaz cr\u00edtico que sempre foi, o L\u00facio mandou ver, dizendo que eu era um analfabeto, burro, que n\u00e3o sabia nada da l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria o Ciro Pinheiro tamb\u00e9m estava por l\u00e1 e teria sido ele quem me procurou com natural curiosidade para saber o que havia acontecido. Dadas as explica\u00e7\u00f5es, tudo esclarecido, ouvi o Governador me dizer, em humilde penit\u00eancia, \u201cantes tivesse deixado ele falar de \u201cemproviso\u201d. Isto tudo no dia 26 de novembro de 1977.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Da\u00ed para a frente foi festa e o alegre retorno para casa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vinte e nove anos se passaram e eu fico olhando a cada ano que passa surgem novos protagonistas para as respectivas festas. Cada Munic\u00edpio desenvolve movimentada programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ano que vem eles se transformam em balzaquianas cidades, ser\u00e3o trintonas, mais maduras, mais s\u00e1bias, quem sabe n\u00e3o seria o momento de reverenciarem as pessoas que ao longo do tempo v\u00eam sendo sistematicamente esquecidas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Saibam as autoridades de hoje que quando aqui quase todos chegaram, j\u00e1 havia muito barro amassado pelos que os antecederam. Gente que deu um duro danado, que enfrentou as maiores priva\u00e7\u00f5es, todos movidos por um ideal de fazer a grandeza desta regi\u00e3o e que n\u00e3o deveriam ser esquecidas jamais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostaria muito de ver placas homenageando o INCRA, mas o INCRA do Capit\u00e3o S\u00edlvio, do Assis Canuto, do Amir Lando, do Luiz Melo, do Paulo Brand\u00e3o e tantos outros. Penso que o Governador Humberto Guedes devia ser lembrado e honrado, porque na gest\u00e3o dele foram criadas as condi\u00e7\u00f5es para a instala\u00e7\u00e3o desses munic\u00edpios e, logo adiante do pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu gostaria muito de manusear os caderninhos que batizei \u201clivro de atas\u201d, os quais foram deixados nas respectivas prefeituras ao t\u00e9rmino de cada solenidade. Ali est\u00e3o as assinaturas de todos os que diretamente participaram da efem\u00e9ride que todos os anos \u00e9 comemorada, mas que jamais lembra de quem com eles deixou um peda\u00e7o de sua vida e um naquinho do seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vamos ver se as balzaquianas Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Vilhena, Pimenta Bueno e Cacoal, em fun\u00e7\u00e3o da idade mais centradas, mais racionais, mais gratas, ao completarem seus trinta anos de vida se tornam mais justas e reconhecidas com seu passado ainda t\u00e3o recente e j\u00e1 t\u00e3o esvaziado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Coronel Humberto Guedes ainda est\u00e1 vivo e, acredito, ele ficaria encantado se o convidassem para repetir o p\u00e9riplo de trinta anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Desembargador \u201cClemanss\u00f4\u201d aposentou-se j\u00e1 tem um tempo, mas, com certeza, para um acontecimento desse jaez, se abalaria l\u00e1 do Recife, onde mora, e aqui viria para compartilhar desses momentos com imensa alegria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu, s\u00f3 queria ver, uma \u00fanica vez,\u00a0 os meus caderninhos de ata.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pedro Batalha, Renato Coutinho, Vicente Homem e o \u201cSeu Catarino\u201d j\u00e1 partiram, assim como o Jorge Santos e o Chiquilito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A Jussara continua a\u00ed, mas muito esquecida e magoada por conta disso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este ano eu vi Ji-Paran\u00e1 homenagear, com muita justi\u00e7a, o velho amigo W\u00e1ter B\u00e1rtolo. Que bom para ele!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fico pensando que seria o padrinho e os afilhados nunca se lembraram de me convidar para os seus anivers\u00e1rios, mas isto \u00e9 coisa da minha sessentona e emotiva cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todavia, seria interessante que os mentores de cada uma dessas cidades, levassem em conta o ensinamento de Eduardo Prado que diz:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs povos representantes de grandes civiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o povos veneradores dos antepassados e respeitadores dos seus usos. Certamente o homem deve viver no seu tempo, mas a tend\u00eancia para a contempla\u00e7\u00e3o do passado \u00e9 um dom nobil\u00edssimo da sua alma\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como muito poucos, por conta das avalanches do dia-a-dia, podem se dar ao luxo de dar uma espiada no passado, l\u00e1 vamos n\u00f3s todos para os terr\u00edveis arquivos mortos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Azar o meu.<br \/>\nAmadeu Guilherme Matzenbacher Machado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O texto, com o tom de registro hist\u00f3rico, \u00e9 do meu amigo Amadeu Guilherme Matzenbacher Machado no qual ele narra com humor, informa\u00e7\u00e3o, texto impec\u00e1vel e as entrelinhas da poesia sobre os bastidores que levaram \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o de cinco cidades de Rond\u00f4nia: Ariquemes, Ji-Paran\u00e1, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena. <\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":15990,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[201,203,2446,1562,220],"class_list":["post-15983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","tag-ariquemes","tag-cacoal","tag-historia-ji-parana","tag-pimenta-bueno","tag-vilhena"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15983\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}