{"id":2439,"date":"2014-03-23T00:07:39","date_gmt":"2014-03-23T04:07:39","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=2439"},"modified":"2022-06-20T21:26:34","modified_gmt":"2022-06-21T01:26:34","slug":"ouro-pretoro-comeca-com-a-chegada-do-incra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2014\/03\/23\/ouro-pretoro-comeca-com-a-chegada-do-incra\/","title":{"rendered":"Ouro Preto\/RO come\u00e7a com a chegada do Incra"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto\">\n<p align=\"center\"><strong>Mem\u00f3ria<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Hist\u00f3ria da Coloniza\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia come\u00e7a em Ouro Preto, os primeiros passos ao Estado Material escrito pelo Jornalista Roberto Gutierrez artigo publicado em 2009.<\/strong><\/p>\n<p>Ao ver que praticamente 40 anos de pesquisa foram colocadas ao ch\u00e3o pela for\u00e7a do machado e da motosserra, \u00e9 poss\u00edvel perceber que a explos\u00e3o demogr\u00e1fica, somado a ignor\u00e2ncia e a falta de planejamento amea\u00e7a a pesquisa. Trata-se da a\u00e7\u00e3o de v\u00e2ndalos que derrubou lavouras de cacau da Ceplac em Ouro Preto. Um marco da hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o, no entanto, contar um pouco da hist\u00f3ria de Ouro Preto do Oeste torna-se um exerc\u00edcio liter\u00e1rio complicado quando se faz parte dos acontecimentos que surgiram a partir de 1970 com a instala\u00e7\u00e3o do Incra no Projeto Integrado de coloniza\u00e7\u00e3o Ouro Preto (PICOP), assim, sem pudor de escrever na primeira pessoa do singular \u2013 contrariando todos os manuais de reda\u00e7\u00e3o \u2013 passo a contar sobre algumas passagens as quais contribu\u00edram para que Rond\u00f4nia sa\u00edsse da condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia de seringueiros para a condi\u00e7\u00e3o de Estado \u2013 entre os mais promissores do Pa\u00eds.<br \/>\nH\u00e1 duas semanas recebi umas fotos antigas do arquivo de Assis Canuto \u00e0s quais vi retalhos da hist\u00f3ria registrados na mem\u00f3ria \u2013 uma delas, ainda da planta\u00e7\u00e3o das mudas de cacau na esta\u00e7\u00e3o experimental da Ceplac, que foi coordenado por Frederico \u00c1lvares-Affonso. As fotos tamb\u00e9m levaram \u00e0 escola Isolada Doutor Joaquim de Lima Avelino na qual estudei. No entanto, isso n\u00e3o tem import\u00e2ncia noticiosa, s\u00e3o apenas lembran\u00e7as. Importantes s\u00e3o os her\u00f3is an\u00f4nimos que morreram na luta por garantir um peda\u00e7o de terra onde os inimigos n\u00e3o eram latifundi\u00e1rios, mas as doen\u00e7as tropicais como a mal\u00e1ria, os acidentes por conta das derrubadas \u2013 muitos morreram esmagados por \u00e1rvores em derrubadas \u2013 fam\u00edlias inteiras dizimadas pela mal\u00e1ria \u2013 uma hist\u00f3ria de muitos \u00f3rf\u00e3os que hoje s\u00e3o av\u00f3s.<br \/>\nO ponto comercial mais importante era a cantina do Capit\u00e3o Silvo de Farias, logo na entrada de Ouro Preto. Ali eram distribu\u00eddos os mantimentos para as equipes que abriram as primeiras estradas vicinais. Eram dois acampamentos: do Machado e do Miache.\u00a0 Neles havia homens como Zefirino, Caribamba, Ezequiel, Quito, Capixaba, Agenor Nogueira da Rocha, Comara e tantos mais que minha mem\u00f3ria de um garoto de 13 anos n\u00e3o conseguiu guardar. A primeira linha a ser aberta foi a Linha 22. Nela morava uma figura ilustre da pol\u00edtica \u2013 Jo\u00e3o Dias, que chegou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de deputado.<br \/>\nEnquanto as linhas vicinais eram abertas \u2013 1970 \u2013 o Incra, comandado por Assis Canuto, estava respons\u00e1vel pela miss\u00e3o de assent\u00e1-los em lotes de 100 hectares. Havia nomes que trabalham com Canuto como Ademar da Costa Sales, Pra\u00e7a Ferreira, Doutor Julimar Milit\u00e3o, Morluf, Augustinho Peniche, Nunoy Itsumi, Ant\u00f4nio Cunha (os dois \u00faltimos enfermeiros), Eust\u00e1quio, Bosco, Paulo Brand\u00e3o, os guardas Florestais C\u00e9lio, Amaurino, Soares (empres\u00e1rio em Jaru) e Peniche. T\u00e9cnicos agr\u00edcolas como Francisco Sales Duarte de Azevedo, Genivaldo Souza, Demerval Baiano da Ceplac, Professor Junqueira \u2013 que implantou o caf\u00e9 em Rond\u00f4nia; Itabaiana, Adalberto da Ceplac , Barbosa, \u2018Seo\u2019 Oliveira&#8230; Tem ainda motoristas como Nilo, Nelson Baracho, Raimundo da Cruz Teixeira, Agenor da Rocha, Alem\u00e3o Preto, Vicent\u00e3o, Manezinho Rocha, Zez\u00e9, Bad\u00e9, Chico Parafuso que era tratorista e tem mais gente, muito mais. Parte desses personagens citados j\u00e1 morreu e o restante est\u00e1 aposentado \u2013 todos os citados chegaram a Ouro Preto de 1970 a 1973.<\/p>\n<blockquote><p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/sapolandia.jpg\" alt=\"Foto: Arquivo de Assis Canuto\" width=\"544\" height=\"402\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 544px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 544\/402;\" \/><br \/>\nVila Sapol\u00e2ndia em 1972; na parte superior, o setor comercial de Ouro Preto que rec\u00e9m-come\u00e7ava com 12 casas<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/escolajoaquimdelimaavelino.jpg\" alt=\"Foto: Arquivo de Assis Canuto\" usemap=\"#Map2\" width=\"550\" height=\"258\" border=\"0\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 550px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 550\/258;\" \/><\/p>\n<p>Alunos da Escola Isolada Doutor Joaquim de Lima Avelino em 1972 no projeto de coloniza\u00e7\u00e3o Ouro Preto<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 157px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 157\/195;margin-left: 40px; margin-right: 40px; border: 1px solid black;\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/vanderleirobertoehamilton.jpg\" alt=\"\" width=\"157\" height=\"195\" align=\"left\" border=\"1\" hspace=\"40\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/>Na foto est\u00e3o Vanderlei Juquita (morreu na d\u00e9cada de 80) Roberto Gutierrez ao centro (o jornalista que escreve este site) e Hamilton Soares Lenk um pouco atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Personagens do in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>ma casa de madeira \u00e0 beira da BR-364, pr\u00f3ximo a um p\u00e9 de caj\u00e1, foi o local no qual funcionou o primeiro escrit\u00f3rio do Incra em Ouro Preto. Ali\u00e1s, pr\u00f3ximo dali, a tr\u00eas quil\u00f4metros no sentido da Vila de Rond\u00f4nia (Ji-Paran\u00e1), precisamente enfrente ao morro da Embratel (parque Chico Mendes), estava a raz\u00e3o do nome dado \u00e0 localidade: o seringal Ouro Preto, pertencente a Vicente Sabor\u00e1 Cavalcante. Ele era casado com dona Nami, que ficou vi\u00fava no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70. Dona Nami acabou morrendo h\u00e1 pelo menos cinco anos em Ouro Preto.<br \/>\nA sede do Incra \u00e0 beira da BR funcionou por um per\u00edodo pequeno. O executor do Incra, Assis Canuto, mandou construir uma sede nova onde \u00e9 hoje a Avenida Capit\u00e3o Silvio de Farias. Trezentos metros mais abaixo da nova sede, que na \u00e9poca era no meio da mata, foi constru\u00edda a casa do Canuto, que na \u00e9poca era solteiro. No local mora atualmente Expedito Rafael &#8211; primeiro prefeito eleito de Ouro Preto cuja vit\u00f3ria dele, pela extinta Arena, foi orquestrada pelo ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira. O epis\u00f3dio merece um cap\u00edtulo \u00e0 parte. Mas, como ia dizendo, a casa na qual funcionou a primeira sede do Incra, n\u00e3o ficou abandonada. Nela foram morar duas fam\u00edlias: Nelson Baracho, motorista e ex-soldado da borracha; e o manauara Alcides da Silva, contabilista. Alcides era casado com dona Lucimar. Tinham dois filhos: Geraldo e Marilene. Sete e cinco anos, respectivamente. Baracho, que era um gozador de marca maior, era casado com Maria e tinha uma filha com ela: N\u00fabia, que tinha um ano na \u00e9poca.<\/p>\n<blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Baracho deu nome aos bairros<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Baixinho, apenas tr\u00eas dedos na m\u00e3o direita, nato contador de anedotas e bebia todas com ou sem lim\u00e3o. Assim era Nelson Baracho, ex-soldado da borracha que batizou a primeira vila do Incra de Sapol\u00e2ndia. O bairro onde moravam os t\u00e9cnicos agr\u00edcolas, pr\u00f3ximo ao campo de futebol do Incra, ele batizou de Chifrol\u00e2ndia. (N\u00e3o me perguntem o porqu\u00ea disso!). J\u00e1 a terceira e \u00faltima vila do Incra, que passou a ser constru\u00edda a partir de 1973, da avenida Daniel Comboni se estendendo at\u00e9 ao igarap\u00e9 Ouro Preto, chamava-se Toca-Tapas. Teve uma \u00e9poca que a mulherada brigava mesmo. Tapas e pauladas. Elas se juntavam para lavar roupas \u00e0 beira do igarap\u00e9 e a fofoca de que o marido de uma estava pegando a amiga da outra acabava em quebra-pau.<br \/>\nVeja os nomes das criaturas que eram alvo da ciumeira da mulherada: Canga, Jabiraca, Z\u00e9 Comedor, Luiz Boracheiro e Vanuza. Z\u00e9 Comedor, coitado, tinha esse apelido justamente porque n\u00e3o pegava ningu\u00e9m \u2013 a n\u00e3o ser a J\u00falia Cacete do Cai N\u2019\u00e1gua na Vila de Rond\u00f4nia (hoje Ji-Paran\u00e1). Vanusa pegou esse apelido porque era loiro e tinha o cabelo grande. Jabiraca era uma esp\u00e9cie de Iguita da \u00e9poca, embora n\u00e3o sendo goleiro, jogava demais. Canga tinha as pernas tortas igual ao do Garrincha. Ele tamb\u00e9m protagonizou o primeiro caso de cobran\u00e7a armada \u2013 claro, ele era o devedor e, o cobrador, administrava o supermercado da CiraPicop. Luiz Borracheiro foi expulso de Rond\u00f4nia. O cara era gente boa, mas sempre se envolvia em confus\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/ouropretovistaaerea1.jpg\" alt=\"\" usemap=\"#Map\" width=\"544\" height=\"416\" border=\"1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 544px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 544\/416;\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>Vista a\u00e9rea da terceira vila do Incra \u2013 antigo bairro Toca-Tapas. Na parte inferior da foto \u00e9 onde hoje est\u00e1 a avenida Daniel Comboni; No alto da foto a sede do Incra ao lado da Serraria; bem mais acima est\u00e1 a BR-364 sa\u00edda para Ji-Paran\u00e1<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Mingonga, o \u2018bicho-pap\u00e3o\u2019<\/strong><\/p>\n<p>O seringalista Vicente Sabor\u00e1 Cavaltante e dona Nami tiveram quatro filhos: Raimundo, Airton, Ari e Adeilton. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, dona Nami acabou adotando um rec\u00e9m-nascido cuja m\u00e3e havia morrido no parto. O pai da crian\u00e7a era Francisco Pereira Maia, o Mingonga, um soldado da borracha vindo de Aracati\/CE, que tornou-se alco\u00f3latra pelo desgosto da morte da mulher. Esse menino adotado \u00e9 Elias, que ficou com o sobrenome do seringalista \u2013 Medeiros Cavalcante. Mais tarde se tornou maratonista. Ele tinha dois irm\u00e3os mais velhos, Deco e Francisco J\u00fanior, o Chiquinho. Pensa num cabra cobra de sinuca! Os dois foram embora de Ouro Preto e 1975. Mingonga, devido a bebedeira, tornou-se o bicho-pap\u00e3o das crian\u00e7as da \u00e9poca. Quando um garoto fazia bagun\u00e7a, as m\u00e3es diziam que chamariam o Mingonga. Os detalhes desta hist\u00f3ria foi o pr\u00f3prio Mingonga que me contou. Ele carregava \u00e1gua para abastecer os tambores de um restaurante que a minha fam\u00edlia tinha, em 1975. Ali\u00e1s, ele vivia de bico fazendo servi\u00e7o ali e acul\u00e1 para os comerciantes. Em 1982, Mingonga morreu atropelado na BR-364 pr\u00f3ximo onde hoje \u00e9 o posto do Alex Testoni. Ironia do destino \u00e9 que, os irm\u00e3os Miranda Gil e Mariano, o Cui\u00fa, que ajudaram a socorrer Mingonga, morreram de cirrose hep\u00e1tica. A terceira pessoa que tamb\u00e9m o socorreu, Adnaldo de Jesus, o Nadinho, foi assassinado entre Jaru e Ouro Preto em 1999. (Que sorte a minha, ajudei a socorrer o Mingoga e estou aqui para contar a hist\u00f3ria). Ah, estava me esquecendo do cerealista Gentil Ferreira Lima, que tamb\u00e9m est\u00e1 vivo. Ele foi quem levou Mingonga ao hospital na carroceria do carro dele, uma D-10. Na pra\u00e7a dos Migrantes, a imagem de Mingonga est\u00e1 esculpida em uma tora de madeira. O trabalho foi feito pelo artes\u00e3o Toninho Geraldo, que n\u00e3o mora mais em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<blockquote><p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/escolajoaquimdelimaavelino3.jpg\" alt=\"Foto: Arquivo de Assis Canuto\" width=\"550\" height=\"362\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 550px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 550\/362;\" \/><\/p>\n<p>Vista a\u00e9rea do Incra: campo de futebol; no alto da foto, do outro lado da estrada ficava a vila Sapol\u00e2ndia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Internato para alunos do s\u00edtio<\/strong><\/p>\n<p>Ao lado da Sapol\u00e2ndia, onde foi o parque de exposi\u00e7\u00f5es de Ouro Preto, foram constru\u00eddas seis casas. Numa delas morava Adhemar da Costa Sales. Outro vizinho dele era Valter, motorista de caminh\u00e3o de toras. Nas outra quatro casas, n\u00e3o me recordo o nome dos moradores, mas uma dessas casas foi transformada no primeiro internato de Ouro Preto. Filhos de agricultores passavam a semana no internato para estudar e aos fins de semana retornavam para o s\u00edtio. Isto aconteceu em 1972, at\u00e9 que no mesmo ano, foi constru\u00eddo um internato maior onde hoje funciona o Centro Supletivo de Ouro Preto Professor Ant\u00f4nio. Nesse internato moraram J\u00f3rmis C\u00e9sar Fernandes da Rocha, advogado e pastor da Assembl\u00e9ia de Deus; Irlei Salom\u00e3o (pecuarista), Hamilton Soares Lenk (Pecuarista), Arlene Amaral Jacob, Maria Rosa, a Lica, (professora em Ji-Paran\u00e1), Heber e Elizabete, da fam\u00edlia do Tat\u00e3o Pedro; Os Irm\u00e3os Ronaldo e Roberto Borges Lima; In\u00eas Castro Zanol; G\u00e9lia Batista Pires; al\u00e9m das professoras a advogada\u00a0Maria Anna Silva Costa, ( que hoje \u00e9 empres\u00e1ria em Jaru \u2013 esposa do Soares que foi um dos primeiros guardas florestais de Ouro Preto), e professora Vilma, que atualmente mora em Ariquemes, casada com Leo Vegildo, um dos primeiros t\u00e9cnicos agr\u00edcolas do Incra. As duas eram respons\u00e1veis pelo internato. Em 1973, chegou a professora Dirce Maria da Cunha, que assumiu o internato.<br \/>\nPor falar em professora, a primeira no n\u00facleo de Ouro Preto, onde se formou a cidade, foi Rosalina Siqueira do Amaral (ex-esposa do Ant\u00f4nio Ac\u00e1cio do Amaral \u2013 atualmente sindicalista, um pioneiro em Ouro Preto). A segunda chamava-se Maria Vilany da Silva (in memoriam &#8211; que era esposa do mec\u00e2nico do Incra Aldemi Ferreira da Silva, tamb\u00e9m in memoriam). A terceira professora foi Maria Judeci seguida de Maria da Luz. Mas a primeira professora de fato, atuou na zona rural de Ouro Preto, que come\u00e7ou bem antes da chegada do Incra: foi dona S\u00edria Amaral Jacob \u2013 ela lecionava pr\u00f3ximo ao rio Boa Vista, km 31. A segunda professora da zona rural foi dona Dezinha, que era esposa do motorista Par\u00e1, ambos moravam pr\u00f3ximo \u00e0 esquina da linha 22 da BR-364. L\u00e1 havia um dep\u00f3sito de sementes de seringueira da Superintend\u00eancia da Borracha (Sudhevea). Ali\u00e1s, eu estudei naquela escola seis meses porque em Ouro Preto n\u00e3o tinha s\u00e9rie que eu precisava. Viajava todos os dias de Ouro Preto ao km 22 no Jaboti. Era um \u00f4nibus adaptado. A frente era igual a de um caminh\u00e3o, parecido com os tradicionais \u00f4nibus escolares dos estados unidos dos anos 50. N\u00e3o tinha bagageiro e na descida, no pau, dava no m\u00e1ximo 60 km\/h. O dono do \u00f4nibus era o Cabe\u00e7a. N\u00e3o me recordo o nome. Ali\u00e1s, Cabe\u00e7a era amigo do Z\u00e9 Ot\u00f4nio. O trajeto do primeiro \u00f4nibus \u201cintervila\u201d de Rond\u00f4nia saia dos Cabeludos, no Santa Rosa \u2013 aproximadamente seis quil\u00f4metros de Ouro Preto no sentido Jaru, com destino a Vila de Rond\u00f4nia cujo ponto final era o Mercado Modelo que rec\u00e9m havia come\u00e7ado. O mercado Modelo n\u00e3o existe mais. No local foi constru\u00eddo o Teatro Dominguinhos. Santa Rosa era um n\u00facleo do Seringal dos Cabeludos. Cabe\u00e7a morreu ap\u00f3s tombar num Jeep sem capota na Vila de Rond\u00f4nia. Por coincid\u00eancia, foi Z\u00e9 Ot\u00f4nio, hoje vice-prefeito de Ji-Paran\u00e1, quem ajudou a socorrer o amigo.<\/p>\n<blockquote><p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/escolajoaquimdelimaavelino2.jpg\" alt=\"\" usemap=\"#Map3\" width=\"550\" height=\"424\" border=\"0\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 550px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 550\/424;\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>Na foto aparecem os alunos Juscilei que era filho do padeiro; Eudes Ven\u00e2ncio, cujo pai, seu In\u00e1cio tinha um com\u00e9rcio em sociedade com Tezinho; Z\u00e9lia Dias, filha de Jo\u00e3o Dias que se tornou deputado; Marinez Rocha, que mais tarde se casou com o colega de escola Marcos Casales Teixeira, ela era filha de Manoelzinho motorista do Incra; Zenaide, filha de agricultor; Hamilton Soares Lenk, filho do Z\u00e9 Lenk \u2013 um dos primeiros pecuarista de Rond\u00f4nia; Ana Maria Fabilon, filha de agricultor e hoje \u00e9 professora; Maria Hilda, irm\u00e3 da professora Maria da Luz; Leci Brand\u00e3o, filha do Seo Oliveira \u2013 irm\u00e3 de Jaconias e Rold\u00e3o Lima de Sousa, ambos estudaram nesta escola; Suzete, filha de agricultor e, Clarice, tamb\u00e9m filha de agricultor. Todo s\u00e3o alunos da s\u00e9tima s\u00e9rie em 1973.<\/p>\n<p>\u2018<strong>Cata-corno\u2019 \u00e9 o ancestral da Eucatur<\/strong><br \/>\nNa segunda parte do especial sobre a hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia publicada no \u00faltimo domingo, especialmente, onde tudo come\u00e7ou, projeto Ouro Preto, falei sobre o primeiro \u00f4nibus que fazia linha no interior pela BR-364. Era o Jabuti \u2013 um \u00f4nibus com frente de caminh\u00e3o e carroceria igual aos \u00f4nibus escolares dos Estados Unidos dos anos 30. O nome do dono do Jabuti, Cabe\u00e7a, que foi batizado por Nelson Baracho de o \u201cCata-Corno\u201d, n\u00e3o me veio \u00e0 mem\u00f3ria. Mas o empres\u00e1rio Z\u00e9 Ot\u00f4nio (atual vice-prefeito de Ji-Paran\u00e1) disse que o nome do Cabe\u00e7a era Ant\u00f4nio Nogueira de Lima. Ele era s\u00f3cio do Pedro Rocha, o Pedrinho. O trajeto do Jabuti ou Cata-Corno, era do Santa Rosa \u00e0 Vila de Rond\u00f4nia tendo como ponto final o Mercado Modelo, que ficava onde atualmente \u00e9 o teatro Dominguinhos em Ji-Paran\u00e1.<br \/>\nNaquela \u00e9poca eu pegava o Cata-Corno todos os dias em Ouro Preto e ia para o quil\u00f4metro 22 para estudar numa escola que n\u00e3o existe mais. Em Ouro Preto n\u00e3o havia a s\u00e9rie que eu frequentava, ent\u00e3o passei a estudar com a professora Dezinha.<br \/>\nCerta vez tive que ir at\u00e9 a Vila de Rond\u00f4nia. Minha m\u00e3e, dona Gladys, havia me dado a tarefa de fazer algumas compras. Como naquele dia n\u00e3o havia aula, fui ao mercado modelo fazer compras no Mercado Ga\u00facho: ficava na avenida Marechal Rondon bem na esquina que dava de frente a casa do seringalista Valmar Meira. Ali\u00e1s, \u2018seo\u2019 Valmar era amig\u00e3o do meu pai \u2013 Agenor Nogueira da Rocha. Sempre que eu vinha para a Vila de Rond\u00f4nia, filava uma \u2018boia\u2019 na casa do Valmar. Sempre bem humorado e de cabelo com corte ao estilo alem\u00e3o, era uma pessoa formid\u00e1vel. Ele me chamava de Robertinho \u2013 o filho do Drag\u00e3o. Meu pai tinha o apelido de drag\u00e3o porque ele era operador de escavadeira Dragline, mas essa atribui\u00e7\u00e3o profissional foi na d\u00e9cada de 50, no Acre.<br \/>\nDeixa eu voltar a o epis\u00f3dio do cata-corno. Bem, quando estava retornado para o projeto Ouro Preto, na fila de cadeiras ao meu lado, havia dois senhores aparentando ter 60 e 65 anos e, na cadeira de tr\u00e1s deles, estava Jabiraca. Ele era jogador de futebol e morava em Ouro Preto.<br \/>\nDe repente, Jabiraca faz um cigarro de papel e acende. O cheiro logo chamou a aten\u00e7\u00e3o dos dois homens. Eis que um deles indaga: &#8211; Mo\u00e7o, que fumo cheiroso \u00e9 esse? Jabiraca, sem pestanejar, inventou uma hist\u00f3ria que se tratava de uma encomenda que tinha feito de um tio no Mato Grosso, e acabou fazendo uma porronca do tal fumo e deu pros velhinhos. Quando chegou nas proximidades da ponte sobre o igarap\u00e9 Miolo (atualmente o limite entre Ji-Paran\u00e1 e Ouro Preto) os velhinhos estavam numa felicidade. Contaram causos e ainda cantaram moda de viola. Assim que o cata-corno parou em frente \u00e0 Cantina do Capit\u00e3o Silvio de Farias, \u00e0 direita, bem na entrada do projeto Ouro Preto, n\u00f3s descemos do \u00f4nibus. Eu perguntei ao Jabiraca que diabo de cigarro era aquele que deixou os velhinhos euf\u00f3ricos? Jabiraca riu, desconversou e disse que era um baseado. O cabra deu maconha pros velhinhos!\u00a0 Os velhinhos desceram do cata-corno na altura onde hoje \u00e9 a linha 37. Nunca mais os vi.<br \/>\nSendo assim, posso afirmar categoricamente que o Cata-Corno do Cabe\u00e7a \u00e9 o ancestral da Eucatur em Rond\u00f4nia.<br \/>\nOs \u00f4nibus que faziam linha nesta regi\u00e3o de Cuiab\u00e1 a Porto Velho era via\u00e7\u00e3o Mota e a via\u00e7\u00e3o Mato Grosso. Com n\u00e3o havia cidades na \u00e9poca, os \u00f4nibus passavam nas localidades buzinado pois o sistema para pegar passageiros era o pinga-pinga.<\/p>\n<blockquote><p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone lazyload\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/acxampamentode-colonos.jpg\" alt=\"Arquivo Assis Canuto\" width=\"500\" height=\"321\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 500px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 500\/321;\" \/><\/strong><\/p>\n<p>Chegada de primeiros colonos que montavam barracas e aguardavam a indica\u00e7\u00e3o do Incra para ocupar a terra<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Acampamentos do Miyache e do Machado<\/strong><br \/>\nDois acampamentos foram fundamentais para a abertura das linhas vicinais de Ouro Preto. Eram os acampamentos do Machado e do Miache.<br \/>\nManoel Renato Machado e Jonas Monteiro era s\u00f3cios do acampamento de topografia que prestava servi\u00e7o para o Incra em 1970. Um pouco mais atr\u00e1s estava o acampamento do Ant\u00f4nio Miyache. A localiza\u00e7\u00e3o exata desses acampamentos era onde hoje fica a Fum Hose, que tamb\u00e9m foi uma \u00e1rea da Aninga nas d\u00e9cadas de 80 e 90.<br \/>\nMais de 40 homens se dividiam nos dois acampamentos. Personagens como Raimundo Nonato Garcia Neto, Francisco Robercilio Pinheiro, Pedro Boeiro, Fl\u00e1vio Costa de Meneses, Agenor Nogueira da Rocha, Joel Lopes ( que no fim da d\u00e9cada de 70 desapareceu em um avi\u00e3o com Manel\u00e3o, esposo da dona Lucimar, cujo avi\u00e3o nunca mais foi encontrado), Zeferino dos Santos, Raimundo Caribamba, Enoque dos Santos, Gilberto Pereira, Francisco Capixaba (o ca\u00e7ador) Comara \u2013 que era tratorista, s\u00e3o personagens da epop\u00e9ia de desbravadores que se tornou a abertura das primeiras estradas vicinais de Rond\u00f4nia.<br \/>\nO top\u00f3grafo Zeferino era um crioulo de 1,90 de altura e protagonizou um dos epis\u00f3dios mais hil\u00e1rios da hist\u00f3ria da coloniza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Na \u00e9poca eu tinha 11 anos de idade, quando, no acampamento do Miache, Zeferino foi piv\u00f4 da goza\u00e7\u00e3o dos amigos porque eles haviam se encontrado com uma tribo de \u00edndios. Zeferino era muito engra\u00e7ado, porque n\u00e3o escondia que era um medroso de marca maior. Os \u00edndios se aproximaram da equipe de top\u00f3grafos, no meio da mata, levaram o material da equipe, mas, o detalhe estava justamente na curiosidade dos \u00edndios com rela\u00e7\u00e3o ao Zeferino. Como ele era preto do branco do olho rosado, os \u00edndios passavam a m\u00e3o na pele do Zeferino para saber se aquilo era pintura. Depois os \u00edndios colocavam o dedo na boa e cuspiam. (sinal que n\u00e3o gostaram do sabor). No fim da hist\u00f3ria, todos voltaram vivos. A\u00ed, o gaiato do Francisco Capixaba, o ca\u00e7ador, para amedrontar ainda mais o Zeferino, dizia que a on\u00e7a prefere comer preto. \u201cSe tiver 10 pessoas dormido, a on\u00e7a vai direto ao preto e leva pra comer\u201d, comentou Capixaba. Por conta disso, Zeferino acabava dormindo nos acampamento do meio da mata no meio dos outros \u2013 sempre preocupado com a on\u00e7a. Ali\u00e1s, em Ouro Preto havia on\u00e7a demais. Nos m\u00eas de outubro, quando elas entravam no cio, escut\u00e1vamos estrondo delas pr\u00f3ximo ao acampamento.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Trag\u00e9dia marca in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Maio de 1971. Um helic\u00f3ptero que partiu do Rio de Janeiro com dentinho a Rond\u00f4nia caiu e explodiu na regi\u00e3o de Tr\u00eas Marias, Mato Grosso. Na aeronave estavam o piloto Sidney Gir\u00e3o e o mec\u00e2nico de avi\u00e3o Francisco Maur\u00edcio Seixas. H\u00e1 um m\u00eas do acidente, os dois haviam sa\u00eddo do Projeto Ouro Preto, em Rond\u00f4nia, a caminho do Rio aonde o helic\u00f3ptero passou por uma revis\u00e3o. Eles estavam de volta para o Projeto Integrado de Coloniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA trag\u00e9dia causou como\u00e7\u00e3o. Naquela \u00e9poca, engenheiros, t\u00e9cnicos agr\u00edcolas, guardas florestais, top\u00f3grafos, motoristas e demais funcion\u00e1rios do Incra formavam uma grande fam\u00edlia de brasileiros de v\u00e1rias partes do Brasil que aceitaram o desafio de desbravar a regi\u00e3o in\u00f3spita: o Projeto Ouro Preto, cujas terras no passado pertenciam a seringalistas e que foram readquiridas pelo governo de Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici. Em 1970, de Pimenta Bueno \u00e0 Velha Ariquemes havia duas ou tr\u00eas centenas de fam\u00edlias remanescentes de soldados da borracha e de garimpeiros da era da explora\u00e7\u00e3o do garimpo de diamante no rio Machado que fincaram ra\u00edzes.<br \/>\nEm homenagem \u00e0s duas v\u00edtimas da explos\u00e3o do helic\u00f3ptero, o Projeto de Coloniza\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo a Guajar\u00e1-Mirim foi dado o nome de PIC Sidney Gir\u00e3o. O PIC deu origem ao munic\u00edpio de Nova Mamor\u00e9. \u00c0 primeira serraria do Incra em Ouro Preto foi dado o nome de Francisco Maur\u00edcio Seixas. A serraria n\u00e3o existe mais.\u00a0 Maur\u00edcio era f\u00e3 do Tim Maia.<\/p>\n<blockquote><p><img decoding=\"async\" data-src=\"http:\/\/www.robertogutierrez.com.br\/ouropreto\/helicoptero.jpg\" alt=\"\" usemap=\"#Map4\" width=\"529\" height=\"410\" border=\"0\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" style=\"--smush-placeholder-width: 529px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 529\/410;\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>Pico-de-jaca revela ateu convicto ap\u00f3s salvamento<br \/>\nEm 1970 Sidney Gir\u00e3o recebeu um chamado para socorrer um garoto, filho de parceleiro que havia sido picado por uma cobra pico-de-jaca. Se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, o fato se deu na altura do quil\u00f4metro 28 da Linha 81 que, na \u00e9poca, s\u00f3 havia avan\u00e7ado na abertura da estrada uns seis quil\u00f4metros partindo da BR-364. O pai do garoto apareceu por volta das 9 horas na sede do Incra pedindo por socorro. Na \u00e9poca, o Incra mantinha um helic\u00f3ptero \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para dar assist\u00eancia aos trabalhos de demarca\u00e7\u00e3o na selva. Em 1973 o heliporto chegou a ter seis helic\u00f3pteros locados de uma empresa do Rio de Janeiro. Pois bem, Sidney foi \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o do agricultor e levou garoto para Porto Velho, ao Hospital S\u00e3o Jos\u00e9 (hoje n\u00e3o existe mais &#8211; ele ficava na rua Almirante Barroso e, aos fundo, pro lado da Sete de Setembro, ficava o col\u00e9gio Maria Auxiliadora). Por sorte, o garoto sobreviveu e Sidney acabou levando o garoto at\u00e9 a demarca\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e do adolescente ficou grata demais e acabou dizendo: seu Sidney, que Deus lhe pague! Sidney olhou pra ela e disse: &#8211; Deus n\u00e3o, minha senhora. Deus n\u00e3o vai me pagar nada e nem precisa passar essa d\u00edvida pra ele. A senhora tamb\u00e9m n\u00e3o me deve nada, mas, se um dia tiver oportunidade, fa\u00e7a algo igual por algu\u00e9m que necessitar.<br \/>\nSidney Gir\u00e3o era ateu. Foi ele quem me deu os livros Eram Deuses os Astronautas (do escritor su\u00ed\u00e7o Erich von D\u00e4niken) e Dom Quixote de la Mancha, do escritor Miguel de Cervantes.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Primeiro ganhador da Loteria Esportiva<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Com a realiza\u00e7\u00e3o da Copa de 1970, que o Brasil acabou conquistando o tricampeonato mundial de futebol de campo no M\u00e9xico, a Caixa Econ\u00f4mica Federal lan\u00e7ou a Loteria Esportiva. O Volante de apostas era composto de 13 jogos e quem acertasse os 13 jogos, ou seja, fizesse 13 pontos, ganhava uma bolada. Era algo t\u00e3o valioso como a Mega-Sena de Hoje. De repente, eu estava na varanda da minha casa, que era um restaurante \u2013 a pens\u00e3o da Dona Gladys, minha m\u00e3e &#8211; e chega o guarda Florestal Agostinho Peniche Bernardes. Um carioca, que na \u00e9poca era solteiro, feliz da vida porque havia acertado na Loteria Esportiva. Ah, a pens\u00e3o da Dona Gladys, que ficava na vila Sapol\u00e2ndia, em Ouro Preto, foi o primeiro restaurante de l\u00e1. Os funcion\u00e1rios do Incra e da Ceplac que n\u00e3o tinham fam\u00edlia, faziam refei\u00e7\u00e3o l\u00e1 minha casa, a pens\u00e3o.<br \/>\nPois bem, Peniche ficou numa felicidade s\u00f3. At\u00e9 pagou cerveja, depois pegou uns trocados emprestado e foi para a Vila de Rond\u00f4nia pegar o avi\u00e3o da Taba. O aeroporto na \u00e9poca ficava onde hoje \u00e9 a avenida Ji-Paran\u00e1, no Bairro Urup\u00e1. Ao chegar a Cuiab\u00e1, Peniche, que \u00e9 torcedor do Bangu &#8211; um time da segunda divis\u00e3o do Rio de Janeiro &#8211;\u00a0 teve a confirma\u00e7\u00e3o de que realmente havia acertado na Loteria Esportiva, mas n\u00e3o foram os 13 pontos e sim, 12. O problema \u00e9 que o concurso teve muitos acertados e o dinheiro que ele ganhou sequer deu para pagar a passagem de avi\u00e3o de volta. Coitado do Peniche, achou que estava milion\u00e1rio e teve que retornar para Ouro Preto de \u00f4nibus &#8211; pela Via\u00e7\u00e3o Mota. Pior, devendo um bom dinheiro que havia gastado por conta do pr\u00eamio.<br \/>\nPeniche chegou a Ouro Preto no segundo semestre de 1970 como guarda Florestal. Ele veio com mais dois Guardas Florestais tamb\u00e9m cariocas: Amaurino Raimundo e Carlos Alberto Soares, que atualmente \u00e9 empres\u00e1rio e pecuarista em Jaru.<br \/>\nDois anos mais tarde, Peniche se casou com a filha de um parceleiro. Foi candidato a prefeito e n\u00e3o se elegeu. Tornou-se empres\u00e1rio e hoje mora em Rio Branco, onde tem uma distribuidora de medicamentos.<br \/>\nPeniche e Soares montaram o primeiro time de futebol do Projeto Ouro Preto. Era o Banguzinho &#8211; uma homenagem ao Bangu carioca que ambos s\u00e3o torcedores. Acho que s\u00e3o at\u00e9 hoje os \u00fanicos dois torcedores do Bangu que moram em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Mem\u00f3ria\u00a0&#8211;\u00a0Hist\u00f3ria da Coloniza\u00e7\u00e3o de Rond\u00f4nia come\u00e7a em Ouro Preto, os primeiros passos ao Estado Material escrito pelo Jornalista Roberto Gutierrez artigo publicado em 2009. Ao <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2014\/03\/23\/ouro-pretoro-comeca-com-a-chegada-do-incra\/\" title=\"Ouro Preto\/RO come\u00e7a com a chegada do Incra\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}