{"id":25829,"date":"2019-10-12T09:10:31","date_gmt":"2019-10-12T13:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=25829"},"modified":"2019-10-12T10:24:22","modified_gmt":"2019-10-12T14:24:22","slug":"infancia-refugiada-10-mil-criancas-venezuelanas-ja-entraram-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2019\/10\/12\/infancia-refugiada-10-mil-criancas-venezuelanas-ja-entraram-no-brasil\/","title":{"rendered":"Inf\u00e2ncia refugiada: 10 mil crian\u00e7as venezuelanas j\u00e1 entraram no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Hoje \u00e9 o Dia das Crian\u00e7as e no alojamento BV8 em Pacaraima (RR), fronteira do Brasil com a Venezuela, os cerca de 400 meninos e meninas que vivem temporariamente por l\u00e1 t\u00eam um pedido:\u00a0<em>cholas<\/em>\u00a0ou em portugu\u00eas, chinelos. Alguns deles n\u00e3o t\u00eam cal\u00e7ados para proteger os pequenos p\u00e9s que cruzaram caminhos dif\u00edceis at\u00e9 chegar ao Brasil.<\/p>\n<p>Desde 2017, mais de 200 mil venezuelanos j\u00e1 entraram no Brasil fugindo da crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social do pa\u00eds. De acordo com estimativas do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), entre eles est\u00e3o quase 10 mil crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, considerando o per\u00edodo de 2015 a 2019. O n\u00famero \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 um dado oficial. Uma delas \u00e9 Diego Hernand\u00e9z, de 10 anos. Ele est\u00e1 com a m\u00e3e e irm\u00e3os no BV8, um abrigo tempor\u00e1rio que acolhe principalmente o p\u00fablico mais vulner\u00e1vel, at\u00e9 que possam seguir para Boa Vista ou para outros estados dentro do processo de interioriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQueremos chinelos e roupas para sermos crian\u00e7as limpas. Quando as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam roupa, elas se sentem tristes\u201d, explica Diego. O tenente-coronel Barcellos, coordenador da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida em Pacaraima, conta que as crian\u00e7as chegam com necessidades muito b\u00e1sicas como roupas e fraldas.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes elas chegam sem entender o que est\u00e1 acontecendo. A gente v\u00ea que para elas tudo \u00e9 novo, diferente\u201d, diz Barcellos. A Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \u00e9 coordenada pelas For\u00e7as Armadas com apoio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur), al\u00e9m de outros \u00f3rg\u00e3os do poder p\u00fablico e entidades da sociedade civil.<\/p>\n<p>Apesar das dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es, o menino agradece o acolhimento no Brasil e fala com propriedade sobre a crise que levou ele e sua fam\u00edlia a cruzarem a fronteira. \u201cPelo menos voc\u00eas est\u00e3o nos ajudando porque a Venezuela est\u00e1 pobre, j\u00e1 a metade da popula\u00e7\u00e3o se foi porque a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito feia por l\u00e1\u201d, lembra Diego.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o ainda maior no contexto da migra\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que direitos muito b\u00e1sicos como a alimenta\u00e7\u00e3o adequada ficam comprometidos. \u201cEssas pessoas foram deslocadas de suas resid\u00eancias ent\u00e3o tem um impacto desse deslocamento, a chegada no local. \u00c0s vezes a vida num abrigo tamb\u00e9m \u00e9 muito distinta da realidade que essas crian\u00e7as estavam vivendo na Venezuela. Isso tudo tem feito com que esse processo tenha um impacto muito forte nas crian\u00e7as\u201d, aponta Thais Menezes, chefe de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Acnur.<\/p>\n<div class=\"fluid-width-video-wrapper\"><iframe data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h-eJcsexNX0\" name=\"fitvid0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<h2>Primeira inf\u00e2ncia<\/h2>\n<p>A vida no alojamento BV8 e nos outros abrigos mantidos pela Opera\u00e7\u00e3o Acolhida pode n\u00e3o ser a ideal. Mas l\u00e1, as crian\u00e7as t\u00eam ao menos tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es por dia e um lugar seguro para dormir. Entre os cerca de 700 moradores tempor\u00e1rios do local \u2013 o espa\u00e7o est\u00e1 sendo ampliado para receber at\u00e9 mil pessoas \u2013 est\u00e3o cerca de 60 crian\u00e7as com at\u00e9 7 anos. A maioria delas est\u00e1 na chamada primeira inf\u00e2ncia, per\u00edodo que vai do nascimento at\u00e9 os 6 anos de vida. A primeira inf\u00e2ncia \u00e9 uma fase decisiva para o desenvolvimento infantil, pois \u00e9 quando o c\u00e9rebro \u00e9 moldado a partir das experi\u00eancias, dos est\u00edmulos e do ambiente em que a crian\u00e7a vive.<\/p>\n<p>\u201cOs primeiros anos s\u00e3o muito importantes porque tudo est\u00e1 acontecendo ali ao mesmo tempo e rapidamente. Quanto maior a estimula\u00e7\u00e3o, o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o dos pais em rela\u00e7\u00e3o a essas crian\u00e7as em desenvolvimento e, no caso da migra\u00e7\u00e3o da sociedade tamb\u00e9m, isso vai permitir o desenvolvimento de seres saud\u00e1veis\u201d, explica a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), \u00c2ngela Uchoa. Ela destaca que o estresse e a desnutri\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aspectos afetivos, t\u00eam impacto no desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Na tentativa de mitigar os efeitos negativos da migra\u00e7\u00e3o, o Unicef mant\u00e9m os Espa\u00e7os Amigos da Crian\u00e7a, onde as crian\u00e7as recebem atendimento pedag\u00f3gico e participam de atividades recreativas. Ao todo, 23 unidades est\u00e3o em funcionamento no estado de Roraima e mais de 15 mil crian\u00e7as e adolescentes j\u00e1 foram atendidos.<\/p>\n<p>Em Pacaraima, bem pr\u00f3ximo das instala\u00e7\u00f5es onde os adultos cuidam de quest\u00f5es burocr\u00e1ticas de documenta\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o para poderem entrar no Brasil, dezenas de crian\u00e7as cantavam, dan\u00e7avam e brincavam sob o comando dos monitores da Vis\u00e3o Mundial, organiza\u00e7\u00e3o que apoia o Unicef nas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>L\u00e1 estava Sophia Valentina Curapiaca, 5 anos, que est\u00e1 com a m\u00e3e e os irm\u00e3os em Pacaraima enquanto aguarda as a\u00e7\u00f5es de interioriza\u00e7\u00e3o para encontrar o pai, que j\u00e1 est\u00e1 morando em S\u00e3o Paulo. Ela lista as brincadeiras que gosta de fazer: jogar<em>\u00a0pelota<\/em>\u00a0(bola, em espanhol) e desenhar. \u201cAqui n\u00e3o tenho amigos, meus amigos ficaram na Venezuela. Mas brinco com meus irm\u00e3os\u201d, diz Sophia.<\/p>\n<p>A venezuelana Sorimar Trem\u00e1ria atua como professora social no espa\u00e7o do Unicef h\u00e1 dois anos. Na Venezuela, trabalhava como enfermeira e educadora, mas viu-se obrigada a deixar o pa\u00eds em raz\u00e3o da crise econ\u00f4mica: seu sal\u00e1rio chegou a valer apenas R$ 8.<\/p>\n<p>\u201cNosso espa\u00e7o \u00e9 chamado pela nossa equipe de espa\u00e7o da alegria. Porque as crian\u00e7as esquecem toda realidade da Venezuela, aqui \u00e9 outro mundo. S\u00f3 um l\u00e1pis de cor e um papel fazem a diferen\u00e7a para eles. Eles nos falam: \u2018tia \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma folha para escrever na Venezuela e voc\u00eas d\u00e3o para n\u00f3s, fazemos atividades\u2019, coisas que na Venezuela n\u00e3o se faz porque \u00e9 muito caro um l\u00e1pis\u201d, exemplifica Sorimar.<\/p>\n<p>Apesar dos efeitos negativos dessas priva\u00e7\u00f5es no desenvolvimento infantil, a professora \u00c2ngela Uchoa destaca que h\u00e1 um grande poder de recupera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as em raz\u00e3o da plasticidade do c\u00e9rebro. \u201cMesmo tendo passado por situa\u00e7\u00f5es estressantes, o potencial de recupera\u00e7\u00e3o do ser humano \u00e9 imenso e a gente tem que sempre apostar nesse potencial. \u00c9 a resili\u00eancia, \u00e9 a capacidade de resistir\u201d, analisa Uchoa.<\/p>\n<p>Quando a nossa equipe de reportagem visitou o BV8, as crian\u00e7as ensaiavam uma coreografia para apresentar na festa do Dia das Crian\u00e7as, organizada pela coordena\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o. Perguntado sobre o que gostaria que os adultos fizessem pelas crian\u00e7as imigrantes e refugiadas, Diego resume com a simplicidade de quem s\u00f3 tem 10 anos, mas j\u00e1 carrega uma hist\u00f3ria dura para contar: \u201cEu quero que todas as crian\u00e7as tenham roupas, chinelos, vivamos a vida feliz e quando formos grandes tenhamos estudo aqui no Brasil. Sejamos homens de bem\u201d, diz.<\/p>\n<div class=\"edicao\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span class=\"txtDireitos_humanos\">Liliane Farias<\/span><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/recopapetshop\/?ref=br_rs\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-25616 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rondobras01.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rondobras01.jpg 640w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rondobras01-150x150.jpg 150w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/rondobras01-300x300.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 640px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 640\/640;\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/recopapetshop\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-25569 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/recopa.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/recopa.jpg 800w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/recopa-300x111.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"296\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 800px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 800\/296;\" \/><\/a><\/p>\n<div id=\"quads-ad1\" class=\"quads-location quads-ad1\"><\/div>\n<p><iframe title=\"Speed Travel\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KadgFgGh-ms?feature=oembed\" width=\"678\" height=\"381\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" class=\"lazyload\" data-load-mode=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div id=\"quads-ad1\" class=\"quads-location quads-ad1\"><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/guaporeveiculos.jipa\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-25577 lazyload\" data-src=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/guapore-veiculos-ji-parana.jpg\" data-sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" data-srcset=\"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/guapore-veiculos-ji-parana.jpg 540w, https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/guapore-veiculos-ji-parana-169x300.jpg 169w\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"960\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 540px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 540\/960;\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Hoje \u00e9 o Dia das Crian\u00e7as e no alojamento BV8 em Pacaraima (RR), fronteira do Brasil com a Venezuela, os cerca de 400 meninos e meninas que vivem temporariamente por l\u00e1 t\u00eam um pedido: cholas ou em portugu\u00eas, chinelos. Alguns deles n\u00e3o t\u00eam cal\u00e7ados para proteger os pequenos p\u00e9s que cruzaram caminhos dif\u00edceis at\u00e9 chegar ao Brasil.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":25836,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[5711,5072,5712,1624],"class_list":["post-25829","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","tag-dia-das-criancas","tag-multimidia","tag-refugiados","tag-venezuela"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25829","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25829"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25829\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25829"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25829"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25829"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}