{"id":3265,"date":"2014-07-12T21:33:44","date_gmt":"2014-07-13T01:33:44","guid":{"rendered":"http:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=3265"},"modified":"2014-07-12T21:33:44","modified_gmt":"2014-07-13T01:33:44","slug":"or-que-as-campanhas-eleitorais-serao-tao-caras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2014\/07\/12\/or-que-as-campanhas-eleitorais-serao-tao-caras\/","title":{"rendered":"Por que as campanhas eleitorais ser\u00e3o t\u00e3o caras?"},"content":{"rendered":"<p style=\"color: #333333;\">Isto\u00c9 &#8211; A cada elei\u00e7\u00e3o no Brasil, o mercado se aquece. A expectativa de alcan\u00e7ar o poder \u2013 ou de permanecer nele \u2013 faz com que os partidos invistam bilh\u00f5es em portentosas estruturas de campanha. S\u00e3o profissionais especializados, produtoras de tev\u00ea, gr\u00e1ficas, bancas de advogados, cabos eleitorais e toda sorte de material e servi\u00e7o que possam ser usados na batalha pelo voto. Soma-se a isso uma infinidade de gastos n\u00e3o contabilizados. As cifras s\u00e3o bilion\u00e1rias e n\u00e3o param de crescer, indicando que pol\u00edtica \u00e9 um neg\u00f3cio arriscado, mas altamente lucrativo. A previs\u00e3o de gastos das principais candidaturas \u00e0 Presid\u00eancia este ano \u00e9 100% maior do que na elei\u00e7\u00e3o de 2010. PT, PSDB, PMDB, PSB e siglas nanicas devem desembolsar juntas quase R$ 1 bilh\u00e3o. H\u00e1 quatro anos, esse valor era pouco maior que R$ 450 milh\u00f5es, enquanto que em 2006 n\u00e3o chegou a R$ 180 milh\u00f5es. Se a infla\u00e7\u00e3o acumulada nesses oito anos chegou a 54%, o custo do voto subiu dez vezes mais.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">S\u00f3 a campanha de reelei\u00e7\u00e3o da presidenta Dilma Rousseff estimou um teto de gastos de R$ 298 milh\u00f5es, quase o dobro dos R$ 176 milh\u00f5es previstos em 2010. \u00c9 claro que o limite previsto nem sempre \u00e9 o efetivamente gasto. Para a presidenta Dilma ser eleita, sua campanha consumiu 76% daquele valor, ou R$ 135 milh\u00f5es, h\u00e1 quatro anos. Mesmo que n\u00e3o alcance o teto novamente, o custo este ano deve dobrar. Com previs\u00e3o semelhante \u00e0 dos petistas, a campanha de A\u00e9cio Neves declarou R$ 290 milh\u00f5es como limite de gastos. \u00c9 quase o triplo dos R$ 106 milh\u00f5es estimados por seu partido, o PSDB, na campanha capitaneada por Jos\u00e9 Serra em 2010. O presidenci\u00e1vel Eduardo Campos foi o mais modesto na previs\u00e3o de receitas e estabeleceu teto de R$ 150 milh\u00f5es. Como A\u00e9cio, \u00e9 a primeira vez que ele concorre \u00e0 Presid\u00eancia. Mesmo assim, o valor \u00e9 considerado alto para um candidato de primeira viagem, cujo partido tem uma estrutura menor que os concorrentes.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">Consultados por Isto\u00c9, comit\u00eas eleitorais das principais siglas informaram que o maior impacto no crescimento exponencial dos gastos se deve ao uso da internet, especialmente das redes sociais. Toda campanha que se preze precisa investir em novas plataformas de intera\u00e7\u00e3o por um motivo simples: mais de 39% do eleitorado brasileiro \u00e9 hoje formado por jovens que passam o dia colados em seus smartphones.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">Al\u00e9m de perfis oficiais no Facebook e no Twitter, o comando das campanhas aposta na milit\u00e2ncia virtual que ajuda a multiplicar a mensagem do candidato e tamb\u00e9m a infernizar a vida dos concorrentes, disseminando boatos e intrigas. Para ter sucesso na internet, uma campanha para deputado federal em S\u00e3o Paulo precisa investir ao menos R$ 3 milh\u00f5es. A campanha de reelei\u00e7\u00e3o da presidenta Dilma Roussef, por exemplo, prev\u00ea gastar quatro vezes mais: R$ 12 milh\u00f5es. A guerra virtual entre os presidenci\u00e1veis deve movimentar R$ 30 milh\u00f5es at\u00e9 outubro.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">H\u00e1 quem considere que os militantes virtuais s\u00e3o os cabos eleitorais do s\u00e9culo XXI. Quanto maior o dom\u00ednio das ferramentas de internet, mais caro \u00e9 o profissional. \u201cA guerrilha digital requer um amplo e treinado ex\u00e9rcito e isso custa caro\u201d, afirma o tesoureiro do PSDB, deputado Rodrigo Castro (MG). Jovens com habilidade nas redes sociais est\u00e3o sendo recrutados pelas campanhas por cerca de R$ 2 mil por m\u00eas. \u201cOs mais baratos t\u00eam como miss\u00e3o apenas replicar mensagens, apoiar e comentar conte\u00fados\u201d, diz um cacique petista. Quem tem forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 escalado para rebater cr\u00edticas e opinar em f\u00f3runs e blogs especializados, o que rende mensalmente R$ 4 mil. Considerando a mobiliza\u00e7\u00e3o de cerca de 60 mil internautas, estima-se que o mercado de internet movimente R$ 120 milh\u00f5es por m\u00eas.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">Al\u00e9m da internet, as campanhas tamb\u00e9m preveem gastar mais com servi\u00e7os jur\u00eddicos. A prolifera\u00e7\u00e3o de agress\u00f5es, boatos e a\u00e7\u00f5es de propaganda irregular impacta diretamente na quantidade de a\u00e7\u00f5es movidas pelas bancas de advogados, seja para denunciar, seja para se defender. At\u00e9 agora, a Justi\u00e7a Eleitoral j\u00e1 imp\u00f4s R$ 23,8 milh\u00f5es em multas. Al\u00e9m dos gastos jur\u00eddicos, tamb\u00e9m est\u00e3o mais caros o material gr\u00e1fico, que precisa ter melhor qualidade, segundo o presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias Gr\u00e1ficas do Distrito Federal, Pedro Henrique Achcar Verano. \u201cOs candidatos n\u00e3o querem mais santinhos simples, querem material editorial com papel bom. Eles t\u00eam pedido mais cartilhas e folders\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">De acordo com os donos das chaves dos cofres das campanhas, boa parte do dinheiro previsto para ser gasto nas campanhas ser\u00e1 reservada para o hor\u00e1rio eleitoral gratuito de r\u00e1dio e tev\u00ea que ir\u00e1 ao ar a partir de 19 de agosto. \u201cAs campanhas tender\u00e3o a absorver a artilharia e a infantaria do arsenal tecnol\u00f3gico e isso custa muito dinheiro\u201d, garante Gaud\u00eancio Torquato, especialista em marketing pol\u00edtico, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). A previs\u00e3o de gastos este ano com os programas de tev\u00ea \u00e9 bem maior do que h\u00e1 quatro anos. Dois fatores contribuir\u00e3o para esses aumentos. O principal deles \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o em 2012 da chamada \u201cLei da TV Paga\u201d, que obriga os canais por assinatura a terem metade de sua programa\u00e7\u00e3o produzida por empresas brasileiras. Desde que passou a vigorar, a nova legisla\u00e7\u00e3o causou uma revolu\u00e7\u00e3o positiva no setor audiovisual do Pa\u00eds. Imp\u00f4s a obrigatoriedade de tr\u00eas horas e meia de programa\u00e7\u00e3o nacional em hor\u00e1rio nobre das grades de programa\u00e7\u00e3o dos canais, passou a contemplar toda a cadeia de profissionais. Os custos finais aumentaram e est\u00e1 faltando m\u00e3o de obra: de roteiristas a operadores de c\u00e2mera.<\/p>\n<p style=\"color: #333333;\">Durante a discuss\u00e3o da fracassada proposta de reforma pol\u00edtica que pregava o financiamento p\u00fablico de campanha, a consultoria legislativa da C\u00e2mara fez estudo que j\u00e1 detectava a hiperinfla\u00e7\u00e3o eleitoral. De acordo com a pesquisadora Ana Luiza Backes, nem mesmo altera\u00e7\u00f5es nas leis que proibiram showm\u00edcios, outdoors e distribui\u00e7\u00e3o de brindes funcionaram para baratear as campanhas. \u201cElei\u00e7\u00f5es t\u00e3o onerosas amea\u00e7am a representatividade dos eleitos, diminuindo a representa\u00e7\u00e3o dos setores mais pobres\u201d, critica. Sem uma reforma pol\u00edtica que limite os gastos e a arrecada\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, o custo eleitoral tende a subir indefinidamente. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por Geraldo Tadeu Monteiro, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica do Instituto Universit\u00e1rio de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Segundo ele, os gastos com campanhas eleitorais cresceram 471,3% em uma d\u00e9cada, enquanto a infla\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, foi de 78%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Isto\u00c9 &#8211; A cada elei\u00e7\u00e3o no Brasil, o mercado se aquece. 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