{"id":41326,"date":"2026-01-27T10:45:02","date_gmt":"2026-01-27T14:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/?p=41326"},"modified":"2026-01-27T11:03:40","modified_gmt":"2026-01-27T15:03:40","slug":"br-364-e-o-dilema-das-decisoes-impopulares-diante-do-discurso-raso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/folhaderondonianews.com\/news\/2026\/01\/27\/br-364-e-o-dilema-das-decisoes-impopulares-diante-do-discurso-raso\/","title":{"rendered":"BR-364 e o dilema das decis\u00f5es impopulares diante do discurso raso"},"content":{"rendered":"<h3>H\u00e1 cr\u00edticas leg\u00edtimas, Ignor\u00e1-las seria ingenuidade pol\u00edtica. Mas o pre\u00e7o do ped\u00e1gio cabe <strong>a tr\u00eas inst\u00e2ncias: <\/strong>Executivo (Uni\u00e3o ou Estado) estrutura a concess\u00e3o e assina o contrato. Ag\u00eancia reguladora (ANTT ou DER estadual) define, calcula e reajusta o valor do ped\u00e1gio.<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Roberto Gutierrez &#8211; Obras de infraestrutura quase nunca s\u00e3o neutras do ponto de vista pol\u00edtico. Elas redistribuem custos e benef\u00edcios ao longo do tempo e, por isso, tendem a gerar conflito quando o \u00f4nus \u00e9 imediato e o retorno \u00e9 percebido apenas no m\u00e9dio ou longo prazo. \u00c9 exatamente esse descompasso que explica a controv\u00e9rsia em torno do ped\u00e1gio da BR-364, em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>A rodovia \u00e9 o principal eixo log\u00edstico do estado. Sustenta o transporte de pessoas, o escoamento da produ\u00e7\u00e3o e a integra\u00e7\u00e3o regional. Qualquer altera\u00e7\u00e3o em seu custo de uso afeta diretamente a economia cotidiana e, por consequ\u00eancia, o humor do eleitorado. Nesse ambiente, a rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao ped\u00e1gio n\u00e3o \u00e9 apenas compreens\u00edvel; \u00e9 politicamente previs\u00edvel.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7a quando o debate deixa de ser t\u00e9cnico e passa a ser conduzido por incentivos eleitorais. A discuss\u00e3o sobre concess\u00e3o, modelo tarif\u00e1rio, cronograma de investimentos e mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o cede espa\u00e7o a narrativas simplificadas, centradas exclusivamente na rejei\u00e7\u00e3o ao custo imediato. Trata-se de uma din\u00e2mica recorrente em contextos pr\u00e9-eleitorais, nos quais a cr\u00edtica rende mais visibilidade do que a formula\u00e7\u00e3o de alternativas vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio favorece a atua\u00e7\u00e3o de atores pol\u00edticos que n\u00e3o participaram da constru\u00e7\u00e3o institucional do projeto, mas encontram na insatisfa\u00e7\u00e3o popular uma oportunidade de reposicionamento p\u00fablico. A indigna\u00e7\u00e3o passa a ser performada, n\u00e3o como instrumento de controle social, mas como estrat\u00e9gia de diferencia\u00e7\u00e3o eleitoral. O resultado \u00e9 a eros\u00e3o do debate qualificado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 nesse contexto que o senador Conf\u00facio Moura se torna um dos principais alvos. Seu hist\u00f3rico pol\u00edtico est\u00e1 associado \u00e0 l\u00f3gica da gest\u00e3o e da solu\u00e7\u00e3o estrutural de problemas, n\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica de temas sens\u00edveis. Ao defender a concess\u00e3o como mecanismo de viabiliza\u00e7\u00e3o de investimentos cont\u00ednuos, assume um custo pol\u00edtico que muitos preferem evitar.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o elimina as cr\u00edticas leg\u00edtimas. O valor do ped\u00e1gio, a percep\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a antecipada e a desconfian\u00e7a hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o a concess\u00f5es rodovi\u00e1rias s\u00e3o elementos reais do debate p\u00fablico. Ignor\u00e1-los comprometeria qualquer an\u00e1lise s\u00e9ria. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que a aus\u00eancia de investimentos em uma das rodovias mais perigosas da regi\u00e3o produz custos humanos e econ\u00f4micos igualmente elevados, ainda que menos vis\u00edveis no curto prazo.<\/p>\n<p>O que se observa \u00e9 um conflito cl\u00e1ssico entre racionalidade t\u00e9cnica e racionalidade eleitoral. O tempo da pol\u00edtica \u00e9 curto; o tempo da infraestrutura \u00e9 longo. Decis\u00f5es estruturais raramente geram dividendos imediatos, mas o desgaste ocorre no instante em que s\u00e3o anunciadas. Em sistemas pol\u00edticos altamente sens\u00edveis \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, poucos agentes est\u00e3o dispostos a assumir esse risco.<\/p>\n<p>Ao sustentar a necessidade da concess\u00e3o, Conf\u00facio Moura se posiciona fora da l\u00f3gica do aplauso f\u00e1cil. Isso ajuda a explicar a press\u00e3o que enfrenta. O desafio que se imp\u00f5e agora \u00e9 pol\u00edtico e institucional: transformar uma decis\u00e3o tecnicamente defens\u00e1vel em um processo com transpar\u00eancia, fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva e comunica\u00e7\u00e3o permanente com a sociedade.<\/p>\n<p>A controv\u00e9rsia sobre a BR-364, portanto, extrapola o tema do ped\u00e1gio. Ela exp\u00f5e a escolha entre dois modelos de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: o da cr\u00edtica imediata, sem compromisso com a viabilidade das solu\u00e7\u00f5es, e o da decis\u00e3o estrutural, que cobra um pre\u00e7o pol\u00edtico real no presente em troca de resultados futuros.<\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o se trata de quem vocaliza melhor a indigna\u00e7\u00e3o, mas de quem assume responsabilidade sobre problemas complexos. A maturidade pol\u00edtica de Rond\u00f4nia ser\u00e1 medida menos pelo volume do protesto e mais pela capacidade de distinguir discurso de entrega. A hist\u00f3ria costuma ser menos generosa com os que gritam e mais justa com os que entregam. O tempo dir\u00e1 quem estava apenas surfando na indigna\u00e7\u00e3o e quem, de fato, assumiu o peso das decis\u00f5es dif\u00edceis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Detalhe interessante<\/h3>\n<p><strong>Cabe a tr\u00eas inst\u00e2ncias<\/strong> a regulamenta\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do ped\u00e1gio<\/p>\n<p>Executivo (Uni\u00e3o ou Estado) \u00a0estrutura a concess\u00e3o e assina o contrato.<\/p>\n<p>Ag\u00eancia reguladora (ANTT ou DER estadual) define, calcula e reajusta o valor do ped\u00e1gio.<\/p>\n<p>Concession\u00e1ria cobra o valor dentro do que est\u00e1 autorizado no contrato.<\/p>\n<p>Parlamentares n\u00e3o fixam o pre\u00e7o; no m\u00e1ximo influenciam politicamente.<\/p>\n<p>Resumo em uma linha: quem manda no valor \u00e9 o contrato + a ag\u00eancia reguladora, sob o Executivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cRoberto Gutierrez\u00a0\u00e9 jornalista. Na comunica\u00e7\u00e3o desde outubro de 1976, passou por todas as m\u00eddias e h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas \u00e9 editorialista e analista pol\u00edtico.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>H\u00e1 cr\u00edticas leg\u00edtimas, Ignor\u00e1-las seria ingenuidade pol\u00edtica. 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