Uso de celulares e chapinhas no banheiro exige cuidados

A russa Evgenia Sviridenko foi encontrada morta na banheira
A russa Evgenia Sviridenko foi encontrada morta na banheira. Aparelhos, como secadores, são vilões quando em contato com o corpo molhado.

Companhia para muitos brasileiros em diversos momentos, o celular tornou-se um refúgio antes de dormir, na sala de espera e até no banheiro – mas é nesse último ambiente que ele tem feito algumas vítimas e, por isso, é preciso redobrar a atenção para prevenir choques, incêndios e até mortes.

Na última semana, uma adolescente russa de apenas 14 anos morreu eletrocutada enquanto carregava o aparelho durante o banho. Um caso muito semelhante ocorreu há cerca de 15 dias, também na Rússia. Evgenia Sviridenko, 24, usava o celular conectado ao carregador para acessar uma rede social enquanto usava a banheira, quando minutos depois foi encontrada sem vida pela sua colega de quarto. Em janeiro deste ano, uma menina de 11 anos morreu, no Distrito Federal, após sofrer uma parada cardiorrespiratória quando utilizava o celular ligado à tomada.

Por ser um ambiente mais úmido, a engenheira eletricista Saunaray Pereira Barra confirma que os riscos podem ser maiores no banheiro. “Um adulto com a pele seca e o corpo isolado com chinelos, por exemplo, não consegue sentir o choque devido à resistência natural do corpo, que é de cerca de 3.000 ohms (a relação entre a tensão de um volt e uma corrente de ampere).

Só que o fato de estar molhado, até mesmo suado, diminui a resistência do organismo, que pode chegar a valores próximos a zero. Ou seja, se não há nada que impeça a passagem da corrente elétrica e me torno um condutor, a energia vai entrar no organismo, caracterizando o choque”, esclarece.

Segundo Saunaray, uma corrente elétrica com intensidade de 0,5 ampere já pode ser danosa ao corpo. “Os carregadores têm, em média, dois amperes e podem causar choques e lesões até irreversíveis”, compara.

Por isso, a engenheira eletricista orienta como um dos cuidados que o cabo seja sempre conectado ao aparelho antes de ligá-lo à tomada. (Veja mais no infográfico)

Brasil. Em 2015, foram 590 mortes por choque elétrico em todo o país, segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Minas Gerais foi o segundo Estado da região Sudeste com o maior número de óbitos (26), atrás apenas de São Paulo (49). O contato com extensões, benjamins e tomadas está entre as principais causas dos acidentes fatais.

Refúgio. Para 20% dos pesquisados pelo estudo Mobile Report, do Instituto Nielsen Ibope, o banheiro é um dos lugares em que as pessoas mais usam o celular. A pesquisa mostrou ainda que a utilização do aparelho no banheiro cresce junto com a renda dos brasileiros.

Ajuda profissional. Os sinais de que está na hora de chamar um profissional são fáceis de se perceber. Máquinas de lavar louça ou roupa e um ferro de passar são equipamentos que consomem muita energia. Se a tomada deles ficar muito quente, significa que tem algo errado.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*