Justiça diz que Willians Mischur é vítima de organização criminosa e processo é arquivado

Willians Paulo Mischur

Antonielle Costa – Após confessar o pagamento de propina na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o empresário Willians Paulo Mischur, proprietário da Consignum “fora apenas uma vítima do esquema criminoso”.

A conclusão é da promotora Ana Cristina Bardusco, que solicitou o arquivamento do inquérito quanto ao empresário, após entender que sua conduta foi atípica.

O pedido foi acolhido pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane dos Santos.

Na decisão, a magistrada consignou que “no entender do órgão ministerial, restou evidenciada a veracidade das declarações prestadas por Willians, de que fora pressionado e obrigado pelo réu Cézar Zílio a assinar dois contratos versando sobre a simulação de aquisição de terrenos, com o fim de tentar ocultar os pagamentos de propina paga por sua empresa Consignum à organização criminosa”.

Destacou que o próprio Zílio confirmou que “Willians assinou os falsos contratos sem sequer lê-los, porque temia a rescisão de contrato que sua empresa Consignum mantinha com o Governo do Estado e o consequente prejuízo à sua imagem no meio empresarial e social, uma vez que vários cheques da propina entregues à organização criminosa tinham sido utilizados na aquisição dos terrenos localizados na Avenida Beira-Rio, os quais foram objeto dos contratos fraudulentos”.

“Para o Parquet, não era de se exigir outra conduta de Willians diante do enorme poder político e econômico dos réus, senão a de prostrar-se às exigências que lhe foram feitas, com o fim de se preservar a sua imagem e à de sua empresa. Desta forma, acolho a manifestação Ministerial e determino o arquivamento do inquérito policial em relação a Willians Paulo Mischur, por ausência de materialidade delitiva em relação aos crimes apurados nestes autos”, diz um trecho da decisão.

A defesa do empresário é patrocinada pelos advogados do escritório Silva Freire & Vargas.

Segunda vítima

Esse é o segundo caso na Operação Sodoma onde empresários confessam o pagamento de propina e se tornam vítimas.

O primeiro foi o empresário João Rosa, dono da Tractor Parts. Ele pagava propina na gestão passada para que os incentivos fiscais concedidos a sua empresa fossem mantidos.

Sodoma II

Mischur foi alvo de três mandados de busca no dia 11 de março, cumpridos um na sua empresa e dois em residências, uma localizada em um edifício no bairro Santa Rosa outra no condomínio náutico Portal das Águas, no Manso.

No mesmo dia chegou a ser preso e foi encaminhado para o Carumbé, onde permaneceu por quatro dias.

Logo depois procurou o Ministério Público Estadual (MPE) e contou todo o esquema.

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